Geral – 22/02/2012 – 09:02
Uma nova reunião ontem em Bruxelas dos ministros das finanças da Zona do Euro foi o suficiente para deixar as bolsas animadas. O mundo não leva tão a sério assim o carnaval e tudo continua funcionando.
O que se pode esperar é um acordo que permita a liberação de mais uma prestação do empréstimo para a Grécia, com a qual o país irá rolar a dívida que vence em março. Isso é a solução? Não.
Uma análise feita pelas autoridades que representam os países do euro e os credores, a troica (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), projeta que, mesmo se a dívida grega for reduzida em 100 bilhões, pelo sucesso da negociação com os bancos, o país em 2020 estará com dívida de 129% do PIB. Eles exigiam 120%. No final do dia já aceitavam 125%. Que diferença faz? Qualquer um desses números é absurdamente alto. Qual a capacidade de um país, qualquer que seja, manter um ajuste tão longo em suas contas para conseguir um resultado tão medíocre?
Todo ajuste fiscal é de longo prazo e precisa da manutenção de metas de superávits cumpridas por vários anos para se conquistar indicadores melhores. Mas a partir de um determinado ponto o país só faz encolher, o que eleva a dívida pública mesmo se os juros forem zero.
A Grécia está prisioneira dessa armadilha. Este é o quarto ano em que o PIB vai diminuir, então a dívida aumentaria mesmo se em volume permanecesse estável, porque seria mais alta como proporção do PIB. Mas não permanece estável porque os juros têm subido quanto maior é a crise no país.
Qualquer ajuste além de um determinado ponto não é economicamente viável e pode não ser viável politicamente. Num artigo publicado no “Financial Times”, o articulista Wolfgang Münchau disse que “nós estamos num ponto em que o sucesso não é mais compatível com a democracia”.
Ele acha que se os credores tiverem sucesso em impor ao novo governo uma política econômica estarão criando a primeira colônia da Zona do Euro.
Fonte: Miriam Leitão, O Globo


