13/03/2017 12h03
O mundo vive atualmente a maior crise humanitária desde 1945, diz Stephen O’Brien diretor da ONU
20 milhões de pessoas vivendo no Sudão do Sul, Somália, Iêmen e o nordeste da Nigéria estão passando fome.
Por: Gil Nei Silva/UOL
Mundo vive atualmente a maior crise humanitária desde 1945, ano em que a ONU foi fundada.
O alerta da Organização das Nações Unidas foi feito na sexta-feira (10-03), voltando a enfatizar o risco de crise de fome vivida por cerca de 20 milhões de pessoas em quatro países do mundo: Sudão do Sul, Somália, Iêmen e o nordeste da Nigéria.
Stephen O’Brien, diretor de operações humanitárias da instituição, disse ao Conselho de Segurança que:
“Estamos em um momento crítico da história. Já no começo do ano, enfrentamos a maior crise humanitária desde a criação das Nações Unidas”.
O’Brien, reforçou que “sem esforços globais coletivos e coordenados, as pessoas simplesmente morrerão de fome e muitos mais sofrerão e morrerão de doenças”.
Ele pediu uma injeção imediata de fundos para o Iêmen, Sudão do Sul, Somália e nordeste da Nigéria, além de acesso seguro e sem impedimentos à ajuda humanitária “para evitar uma catástrofe”.
“Para ser exato, precisamos de US$ 4,4 bilhões até julho”, afirmou O’Brien.
A situação, que já era considerada grave, se soma a uma possível crise de fome. Já em fevereiro deste ano, a ONU avisou que 20 milhões de pessoas já estão na situação crítica ou correm risco de entrar nela nos próximos seis meses.
O representante da ONU disse que é necessário uma “injeção imediata de fundos” para atender os necessitados nesses três países e o nordeste da Nigéria.
Ele alertou que perto de um milhão de crianças com menos de cinco anos de idade estarão “agudamente desnutridas” este ano se nenhuma providência for tomada:
“O que vi e ouvi durante minha visita à Somália foi angustiante. As mulheres e as crianças andam durante semanas à procura de comida e água, perderam o gado, as fontes de água secaram e não têm mais nada para sobreviver. Com tudo perdido, mulheres, meninos, meninas e homens agora se mudam para centros urbanos”.
O chefe humanitário advertiu que os indicadores atuais refletem “o quadro trágico de 2011, quando a Somália sofreu com a fome”.
“Para ser claro, podemos evitar uma fome. Estamos prontos apesar do risco e do perigo incríveis, mas precisamos desses enormes fundos agora”, completou.
No nordeste da Nigéria, uma revolta de sete anos promovida pela milícia extremista matou mais de 20 mil pessoas e tirou 2,6 milhões de suas casas.
Uma coordenadora humanitária da ONU disse no mês passado que a desnutrição nesse local é tão aguda que alguns adultos são muito fracos para andar e algumas comunidades perderam todos os seus bebês.

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