12/04/2014 – Atualizado em 12/04/2014
Abusos podem ser considerados como importunação ofensiva ao pudor
Por: MS Record
Um abuso que tem se tornado frequente em Campo Grande e em todo país, ocorre no transporte coletivo. Em São Paulo, esses abusadores até ganharam um apelido, são os ‘encoxadores’. Uma passageira do ônibus que se atentou para a situação, gravou imagens pelo celular e entregou a Guarda Municipal.
Na cena o abusador está de boné e camisa listrada, bem atrás da vítima, uma senhora que aparenta ter mais de cinquenta anos. Sutilmente ele encosta a mão sobre a saia dela. O coletivo está lotado. Situação que pode confundir a vítima, mas a ação se prolonga. O homem chega a mexer os dedos como que se aproveitando da situação.
Mas quem pensa que esse caso é isolado, se engana. Cenas como essa se repetem quase todos os dias em Campo Grande, de acordo com usuários do transporte coletivo, e várias pessoas já presenciaram.
“Os caras ficam encostando, o ônibus quando está cheio, eles aproveitam”, diz a babá, Jucicléia de Oliveira.
Maria foi uma das vítimas. “O ônibus estava muito cheio e eles aproveitam esse momento, mas eu chamei bastante atenção dele e fiz ele passar vergonha”, diz a professora, Maria Suely Portílio.
Geralmente situações de abuso dentro dos ônibus acontecem no inicio da manhã e final da tarde, horários em que o veículo está cheio, já que segundo a polícia os autores de aproveitam do tumulto para cometer o crime. Mas o que dificulta a identificação e a localização dessas pessoas é a falta de denúncia por parte da população.
Na delegacia especializada em atendimento à mulher os casos registrados são pouquissímos, o que para a delegada, revela a passividade da população diante dos abusos.
“A gente identifica na maioria dos casos a passividade dos usuários que presenciam, observam a ação criminosa desses abusadores e não comunica os fatos seja para a vítima que as vezes está sendo abusada e não está percebendo, seja para a polícia o importante é, tanto a vítima quanto a população, deixar essa passividade de lado, comunicar os fatos a polícia para que a gente possa ter uma ação, mais efetiva, mais rápida e mais eficiente”, diz a delegada, Marília de Brito Martins.
Os abusos podem ser considerados como importunação ofensiva ao pudor, quando não há contato entre a vítima e o autor, ou então como violação sexual mediante fraude, quando existe o contato físico. Nesse caso o crime se equipara ao estupro, e o autor pode pegar de dois a seis anos de prisão. Para coibir este tipo de ação à polícia tem feito operações dentro do transporte coletivo.
“Nossa equipe a paisana realiza uma operação silenciosa, nesses horários de pico, no transporte público, a fim de autuar em flagrante, esses indivíduos que praticam esses crimes”, finaliza Marília de Brito Martins.
De acordo com a psicóloga, Tânia Palhares, a passividade das pessoas para denunciar esse tipo de crime, é uma questão cultural.
“Eu acredito que é uma questão cultural, porque quando você expõe muito o que você sente , você grita, você fala, você acaba sendo taxada e nem sempre as mulheres gostam de ser taxadas. O melhor a se fazer é denunciar, porque se não há denúncia o agressor vai continuar”, diz a psicóloga.
Não há uma receita de como agir, pois isso é uma reação individual, afirma a psicóloga. Segundo ela, existe pesquisa que comprova que a maioria dos abusadores, já foram vítimas de abusos.
“Se você puder evitar é o melhor caminho, talvez gritar faça parte da personalidade, é impossível dizer uma receita do que fazer. Existe uma pesquisa que comprova que muitos que abusam, já sofreu abusos, então ele reproduz o que ele sofreu”, finaliza a psicóloga. (Com colaboração TV MS Record) Veja o vídeo.



