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Mulheres saem às ruas em defesa do parto humanizado

Geral – 07/08/2012 – 07:08

Entidades em defesa do parto humanizado e dos direitos reprodutivos das mulheres promoveram uma marcha na orla de Ipanema, zona sul do Rio. Uma das organizadoras da passeata, a jornalista Ellen Paes, explicou que a ideia surgiu após a publicação de duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), que proibiam a atuação das chamadas acompanhantes profissionais (obstetrizes, doulas e parteiras) em hospitais e maternidades e ameaçavam punir obstetras que acompanhassem partos domiciliares.

“Eu e mais sete meninas, todas mães, nos conhecemos pela internet e indignadas com a resolução do Cremerj resolvemos nos unir com outras mães de outras cidades para protestar contra esse sistema obstétrico brasileiro mercantilizado”, disse Ellen Paes.

A manifestação ocorreu simultaneamente em outras 23 cidades, entre elas Recife, Fortaleza, João Pessoa, Salvador e São Paulo. O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil pública para anular a decisão do Cremerj e ela foi aceita pela Justiça no dia 30. O Cremerj já avisou que vai recorrer. De acordo com a entidade, as resoluções do conselho visam a proteger mães e bebês e oferecer as melhores condições de segurança para o parto.

O Brasil ocupa a primeira colocação mundial em realização de cesarianas, que corresponde a 52% dos partos, sendo 80% em hospitais privados. O máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é 15%.

A psicóloga Paula Ceci Villaça relatou que o tratamento dado a ela durante o parto de sua filha dificultou a recuperação. “Durante o parto, estava muito nervosa, tive que ficar ouvindo conversas que nada tinham a ver com o meu momento. A anestesia não fez efeito e acabaram me dopando e não lembro de nada do parto da minha filha. Segundo ela, o sofrimento durante o parto acarretou uma depressão pós-parto que afetou o processo de amamentação.

Grávida de 28 semanas, a professora Magda Sousa, 35 anos, quer fazer seu segundo parto em casa. “A primeira vez foi maravilhosa. Ficava nua andando pela casa, no meu ritmo, à vontade. A doula me trouxe tranquilidade e segurança. Quando minha filha nasceu fiquei um bom tempo com ela em meu peito. Quero repetir a dose”.

Fonte: MS notícias

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