22.7 C
Três Lagoas
sábado, 18 de abril, 2026

Mulher é libertada após ficar 2 anos em cativeiro pelo marido em Cuiabá

21/04/2016 – Atualizado em 21/04/2016

Vítima era espancada, dopada por remédios e ameaçada pelo marido. Suspeito está com a prisão decretada pela Justiça, mas está foragido.

Por: G1

Uma jovem foi libertada após passar dois anos sendo mantida em cativeiro pelo próprio marido, em Cuiabá. A vítima, de 23 anos, era espancada, torturada, dopada por remédios e ameaçada pelo marido, de 37 anos.

Segundo a promotora de Justiça que acompanhou o caso, Lindinalva Rodrigues, a jovem era impedida de se comunicar com a família, que não é de Mato Grosso, e vigiada o tempo todo pelo esposo.

Ele teve a prisão decretada e está foragido desde o último final de semana, quando a jovem foi resgatada na fazenda da família dele em Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá.

A situação de cárcere privado foi descoberta pela família da vítima, que nos últimos meses não conseguia contato com ela. Em uma carta entregue à mãe, a jovem relatou os abusos que sofria, revelou que estava presa dentro da própria casa e pediu ajuda à família.

A vítima ficava sob vigilância do marido na casa onde moravam, no Centro de Cuiabá. O marido, por causa da boa condição financeira da família, não trabalha e seria sustentado pelos pais. De acordo com testemunhas e do relato da própria vítima, ela conheceu o esposo quando tinha 12 anos.

“Ela disse que ele começou a assediá-la, mandar flores e procurá-la quando ela tinha apenas 12 anos. Eles começaram a namorar quando ela tinha 18 anos. E ela estaria nessa situação de cárcere há dois anos”, disse a promotora ao G1. O casal não teve filhos.

De acordo com o relato da vítima, a família do marido e as pessoas próximas ao casal sabiam da situação vivida por ela. No entanto, nenhuma delas interferia na relação ou denunciou o caso à polícia até então. De outro lado, a família da moça não sabia o que acontecia, uma vez que o marido controlava as ligações e determinava o que ela poderia dizer aos parentes.

A jovem não tinha acesso a telefone, celular, televisão, internet ou qualquer outro tipo de contato fora da casa.

“Sabe o que é uma mulher nunca poder ir ao banheiro sozinha? Ele batia nela todas as semanas, era espancada e não podia ir nem na porta de casa sozinha, era sempre vigiada. Nunca saiu sozinha. E, se saísse, era sempre de cabeça baixa, só podia levantar quando ele falasse. Ela vivia assim há dois anos”, disse Lindinalva.

Na casa do casal a polícia encontrou diversos medicamentos, supostamente os que ele obrigava a mulher a tomar, além de um revólver. O marido controlava tudo: desde as roupas que a mulher vestia até as coisas que ela poderia fazer na casa.

“Se eles saíssem para um lugar, não importasse o quanto tempo fosse ficar longe [de casa], ela não podia entrar num banheiro público, porque lá dentro poderia pedir o celular de alguém para ligar e pedir socorro ou encontrar alguém.

Ela teve até problemas de saúde porque teve que segurar o xixi por muitas horas e passou mal”, lembrou a promotora.

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

IR 2026: MS ainda tem baixa adesão e mais de 400 mil contribuintes precisam acertar contas com a Receita

Prazo segue até 29 de maio e atraso pode gerar multa, onde especialistas alertam para importância de não deixar para última hora

Arauco capacita instituições para captação de recursos voltados a projetos sociais

Por meio do Ciclo do Conhecimento, a empresa promoveu a qualificação de instituições, que apresentaram seus projetos a representantes de empresas integrantes do programa Parceiros do Bem

Polícia Civil age rápido e evita feminicídio em Água Clara

Homem é detido após ameaça e confessou que tinha a intenção de matar ex-companheira