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MPF denuncia 19 pessoas por morte de cacique em acampamento em MS

Policial – 27/11/2012 – 14:11

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) denunciou 19 pessoas pela morte do cacique guarani-kaiowá Nísio Gomes, de 55 anos. A denúncia foi feita em agosto e divulgada pelo órgão nesta segunda-feira (26). Até o mês de novembro, o processo correu em segredo de justiça.

Segundo o MPF-MS, os réus respondem por homicídio qualificado e por outros crimes relacionados à tentativa de expulsão dos indígenas do acampamento Guaiviry, localizado em Aral Moreira, distante 402 km de Campo Grande, região sul do estado.

Entre os réus estão fazendeiros, advogados e um secretário municipal, além de um proprietário e funcionários de uma empresa de segurança privada. Segundo o MPF-MS, sete deles continuam presos.

Dos 19 acusados, três respondem por homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de testemunha; quatro por homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo; e 12, por homicídio qualificado, lesão corporal, formação de quadrilha ou bando armado e porte ilegal de arma de fogo.

A morte do cacique Nísio Gomes ocorreu durante um ataque ao acampamento Guaiviry, no dia 18 de novembro de 2011.  Além dele, o indígena Jhonaton Velasques Gomes foi ferido. Os acusados utilizaram ao menos seis armas de fogo calibre 12 na ação.

A denúncia do MPF, descreve que o crime repercutiu internacionalmente e colocou em foco o “ambiente onde imperam o preconceito, a discriminação, a violência e o constante desrespeito aos direitos fundamentais” dos cerca de 44 mil índios guarani-kaiowá e guarani-ñandeva que vivem em Mato Grosso do Sul.

Corpo não encontrado

O corpo do cacique Nísio Gomes até hoje não foi localizado, mesmo com a realização de buscas pela região e até em território paraguaio. Mesmo sem encontrar os restos mortais, o MPF diz que há provas e indícios suficientes do homicídio qualificado.

Além das declarações dos acusados e depoimentos de testemunhas, um laudo pericial apontou a existência de vestígios de sangue em fragmentos de madeira e na terra do interior da trilha do Tekoha Guaiviry. Um exame de DNA confirmou ser que o sangue era do “perfil genético de indivíduo do sexo masculino, geneticamente relacionado à mãe e aos filhos de Nísio Gomes”.

Fonte: Do G1/MS

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