03/11/2016 – Atualizado em 03/11/2016
Por: Ana Carolina Kozara com fotos de Rádio Caçula
O movimento estudantil organizado por alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) de Três Lagoas, ocupou na madrugada do feriado de finados (2) o campus II da universidade e decidiram que os portões do prédio permaneceriam fechados.
A ocupação acompanha o movimento nacional, que já tomou mais de 1300 escolas, universidades e institutos federais em todo o Brasil e que luta contra a medida provisória 746, que reformula o ensino médio, e contra a antiga PEC 241 que hoje tramita no senado como PEC 55 e pede o congelamento dos investimentos em saúde e educação durante 20 anos.
Apesar de contar com o apoio de alguns professores da universidade e lideranças sindicais, o movimento é questionado por grande parte dos alunos, que acreditam que a ocupação do campus foi um ato extremo e que a decisão partiu de uma pequena parcela de estudantes, que não questionou a opinião dos acadêmicos.
Diante deste cenário, lideres das atléticas de diversos cursos da universidade lançaram uma enquete em suas páginas no facebook, com o objetivo de coletar a opinião do maior número de alunos em relação à ocupação da universidade e depois de algumas horas no ar, a pesquisa apontava que cerca de 85% dos acadêmicos estão em desacordo com o ato.
Desde a madrugada desta quinta-feira (3) representantes de diversos cursos da universidade iniciaram a formação do movimento de desocupação da UFMS e já na manhã de hoje (3) em negociação com os lideres da ocupação, conseguiram a liberação da passagem de funcionários e alunos que irão realizar a matriculo, porem, os portões permanecem fechados.
O apresentador Romeu de Campos Junior recebeu no programa Linha Direta com a Notícia desta quinta-feira (3) os alunos do curso de administração Denis Ferreira e do curso de direito Juliana Martins, que fazem parte deste grupo que começa a se articular e durante a entrevista afirmaram que o movimento tem o objetivo de conversar com os lideres da ocupação e entender quais foram os motivos que o levaram a este ato extremo, antes de realizar uma assembleia com os demais estudantes.
Em entrevista, Juliana disse que todos os alunos foram pegos de surpresa e que a assembleia para deliberar os motivos da greve esta agendada para a próxima quarta-feira (9), decisão esta que a estudante acha infundada, pois deveria ter ocorrido antes da ocupação.
“Conversando, a gente pode ver os motivos que levaram o grupo a tomar esta atitude e se julgarmos valido, existe a possibilidade do restante dos alunos apoiar a ocupação” – disse Juliana.
Em sua participação, Denis pontuou os problemas que a grade das aulas pode sofrer com este ato, já que os alunos regressão das férias na próxima semana, devido ao deslocamento do calendário ocasionado pela greve dos professores, e agora com esta nova paralisação, novas modificações podem ocorrer.
“Nós ficamos preocupados, porque hoje (3) começam s matriculas presenciais e vários alunos chegam de diversas regiões do país se depararam com a universidade ocupada e sem a possibilidade de realizar o procedimento, por isso houve uma articulação com o grupo para que a entrada de funcionários e alunos fossem liberadas” – disse Denis.
Outro ponto que gera a preocupação dos alunos é em relação ao ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) que pode ser prejudicado devido à paralisação nacional e que prejudica milhares de estudantes brasileiros que ainda estão na incerteza se irão realizar ou não as provas no próximo final de semana (dias 5 e 6).
A equipe da Rádio Caçula convidou os lideres do movimento de ocupação para participar do programa, porem por estarem em reuniões na universidade não puderam comparecer aos estúdios da Rádio Caçula. O grupo utilizou sua página no facebook para esclarecer a situação da ocupação e convidar os interessados para participar de um debate que será realizado às 14 horas no Auditório de Geografia.
Confira a nota na integra
O OCUPA UFMS esclarece que: a ocupação UFMS/CPTL CONTINUA e está ocorrendo de forma pacífica. Também ressaltamos que contamos com o apoio presencial de diversos representantes da sociedade civil (alunos secundaristas, professores, assistentes sociais, país de alunos e trabalhadores em geral), bem como instituições sindicais e outros. Nesta manhã, o movimento participou de uma reunião com o Conselho Universitário, na presença dos representantes de professores e técnico-administrativos, alcançando ainda mais a classe trabalhadora. As matrículas estão sendo realizadas e o OCUPA UFMS convida a todos para um grande debate que será realizado às 14 horas no Auditório de Geografia. Ressaltamos ainda que, independente do posicionamento político ideológico, é importante a participação de todos nesse ato para a construção de um movimento ainda mais democrático.



