Geral – 20/03/2013 – 17:03
Volkswagen Gol equipado com motor 1.6 Total Flex foi o pioneiro do sistema bicombustível no Brasil
Em 23 de março de 2003 surgiu o primeiro automóvel fabricado no Brasil cujo motor utilizava sistema flexível de etanol e gasolina de forma viável. Foi o Volkswagen Gol 1.6, lançado simultaneamente à comemoração de 50 anos da empresa no Brasil, com a presença de diretores mundiais do grupo alemão e do presidente da República.
Alguns meses depois de completar uma década em produção, a Anfavea projeta que, em meados deste ano, 20 milhões de veículos popularmente chamados de flex já terão sido fabricados, marco relevante.
Nada menos de 92% dos automóveis e comerciais leves com motores de ciclo Otto, vendidos em 2012, tinham motores flex, incluídos nacionais e importados. Ao acrescentar os de ciclo Diesel, a participação cai para 87%. Nenhum mercado no mundo apresenta esse cenário.
Na realidade, flexibilidade de abastecer o mesmo tanque com combustível de origem fóssil, de origem vegetal ou de uma mistura entre os dois remete ao início do século passado, por volta de 1910. Ford T e alguns concorrentes podiam usar um ou outro combustível juntos. Nos EUA, em 1991, o metanol apareceu em pequenas frotas. O primeiro carro flex de série já com etanol surgiu em 1996 — um Ford Taurus.
No Brasil, depois da crise de escassez de etanol em 1989/90, a Bosch apresentou um Chevrolet Omega de 2 litros com a tecnologia flex, mas o sistema de reconhecimento de combustível era caro e lento. O projeto só avançou depois de quatro anos, ao se descobrir que a sonda lambda (sensor de oxigênio) servia bem para identificar e gerenciar o tipo de combustível.
A Volkswagen decidiu apostar na tecnologia. Motores de 1 litro representavam quase 70% das vendas à época e, assim, a fábrica escolheu o de 1.6 por precaução. Como a Bosch fornecia sistemas de injeção para os motores VW de menor cilindrada, a Magneti Marelli acabou por receber a primazia.
O ENGASGO DO FLEX
Apelo do motor flex diminuiu quando o preço dos dois combustíveis se aproximou. A opção pelo etanol caiu drasticamente depois de 2009 e o governo ainda bate cabeças sobre a estratégia futura de preços relativos e carga fiscal diferenciada. Só o apelo ambiental atrairá poucos compradores.
Por outro lado, as fábricas têm sido lentas na evolução técnica dos motores. Partida dos motores sem auxílio de gasolina em dias frios, por exemplo, só surgiu em produção seriada no ano passado, e em alguns modelos.
Graças ao novo regime automotivo, Inovar-Auto, e seus objetivos de menor consumo de combustível, haverá avanços até 2017. Meta compulsória é de cortar o consumo médio da frota à venda de cada fabricante em 12,5% sobre 2012. A meta incentivada (até dois pontos percentuais a menos de IPI) chega a quase 19%. Alcançar essa referência, equivalente à da Europa em 2015, obrigará as montadores a investirem além dos motores.
Grande passo, a injeção direta de combustível em motores flex apresenta potencial de corte de consumo em até 10%. Com uso eventual de turbocompressor, ganho será maior com etanol. Significa que mesmo que o combustível vegetal custe 75% (talvez até 80%) do preço da gasolina, ainda será viável sua escolha na hora de abastecer. Hoje, referência é de 70%.
Fonte: Uol


