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quinta-feira, 9 de julho, 2026

Mercado de veículos vive fase de transição

O mercado de automóveis e veículos comerciais no Brasil experimentou um crescimento expressivo em 2024, com a comercialização de 2.634.524 unidades entre automóveis, picapes e veículos comerciais leves e pesados, segundo dados da Fenabrave. Esse número representou uma expansão significativa de 14,1% em comparação ao ano anterior. A Fenabrave, que reúne mais de 8.000 concessionárias no País, incluindo motos e máquinas agrícolas e rodoviárias, prevê agora um ano de 2025 com um aumento mais modesto, limitado a 5%.

O contraste entre os números de 2024 e as projeções para 2025 é evidente. No ano passado, a expansão das vendas foi impulsionada por condições favoráveis de financiamento, que representaram cerca de 60% das transações no mercado, incluindo consórcios. Contudo, de acordo com Arcélio Júnior, novo presidente da Fenabrave, esse cenário não se repetirá em 2025. A principal razão para a expectativa de desaceleração no crescimento do setor é o aumento das taxas de juros, que deverão ser elevadas para conter a inflação.

Júnior destacou que as taxas de juros, que chegaram a patamares historicamente baixos em 2024, são uma das principais variáveis que afetam a decisão de compra no mercado de veículos. “A expectativa é que as taxas de juros subam para combater a inflação. Isso afetará a capacidade de financiamento de muitos consumidores, especialmente nas faixas de crédito mais acessíveis”, afirmou.

Ainda assim, o presidente da Fenabrave não descarta a possibilidade de revisões nas estimativas ao longo do ano, dependendo do desempenho do mercado e das condições econômicas. O Marco de Garantias, instituído em 2024, que permite uma retomada mais ágil de veículos de compradores inadimplentes, pode ser um fator importante para mitigar os impactos das altas taxas de juros, oferecendo mais segurança aos financiadores e potencialmente reduzindo a pressão sobre o crédito ao consumidor.

Com uma expectativa de que a Selic chegue a até 15% em 2025, os analistas projetam que o segundo semestre do ano poderá apresentar um alívio nas taxas, embora o cenário continue desafiador para o consumo. No entanto, mesmo com as dificuldades econômicas, a expectativa é que o mercado de veículos no Brasil recupere os volumes de vendas de 2019, ano anterior à pandemia de COVID-19, que afetou profundamente o setor.

Em 2024, o Brasil também apresentou sinais de recuperação econômica, com um crescimento do PIB e uma diminuição da taxa de desemprego, superando as expectativas iniciais. No entanto, a inflação superou os limites da tolerância, configurando uma “armadilha econômica” já vivenciada pelo País em outros momentos de sua história. A gestão desse equilíbrio será crucial para os próximos meses.

Na próxima semana, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgará as atualizações sobre produção, vendas e exportações de veículos em 2024 e suas projeções para 2025. Esses números deverão ajudar a dar uma visão mais clara das tendências do mercado e da capacidade de adaptação das montadoras brasileiras ao novo contexto econômico.

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