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quarta-feira, 27 de maio, 2026

Médico faz alerta sobre riscos dos anabolizantes após morte de jovem fisiculturista

Bruno Jorge Bianchi reforçou que o uso indiscriminado de hormônios pode provocar problemas cardíacos, metabólicos e até levar à morte

A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley reacendeu o debate nacional sobre os perigos do uso indiscriminado de anabolizantes e hormônios para fins estéticos. Em entrevista ao Jornal da Caçula desta quarta-feira, 27, o médico, nutricionista, treinador e fisiculturista Dr. Bruno Jorge Bianchi fez um alerta contundente sobre os riscos do uso inadequado dessas substâncias e destacou que a busca pelo “corpo perfeito” pode ter consequências fatais.

Durante a entrevista, Bruno comentou o caso de Gabriel, que tinha 22 anos e morreu recentemente. Segundo o especialista, embora a causa da morte ainda esteja sendo investigada oficialmente, o uso de insulina associado a esteroides anabolizantes pode ter contribuído para a fatalidade.

“O principal risco da insulina é provocar uma queda muito acentuada da glicose no sangue. Quando falta glicose no cérebro, isso pode ser fatal. Se o indivíduo aplica uma dose alta e não se alimenta adequadamente, ele pode entrar em hipoglicemia grave e evoluir para óbito”, explicou.

O médico lembrou ainda que o próprio influenciador havia relatado recentemente problemas relacionados ao uso da substância, o que levantou suspeitas sobre uma possível relação entre a medicação e a morte.

Além disso, Bruno destacou que Gabriel apresentava uma condição cardíaca genética, fator que poderia ter agravado ainda mais o quadro. Segundo ele, exames simples poderiam ter identificado previamente o problema.

“Um ecocardiograma simples já poderia detectar essa alteração cardíaca. Com esse diagnóstico, talvez ele tivesse mais cautela ou até mesmo fosse orientado a não competir e não utilizar doses altas de esteroides”, afirmou.

RISCO NÃO DESAPARECE COM ACOMPANHAMENTO

Ao longo da entrevista, o especialista fez questão de reforçar que o acompanhamento médico não elimina os riscos do uso de anabolizantes em doses suprafisiológicas. “Muita gente acredita que, porque está usando com prescrição médica, está livre dos riscos. Isso não é verdade. O médico ajuda a monitorar, prevenir e identificar alterações precocemente, mas o risco continua existindo”, pontuou.

Segundo Bruno, o uso contínuo dessas substâncias pode provocar alterações cardiovasculares, pressão alta, sobrecarga no fígado, problemas hormonais e mudanças metabólicas importantes ao longo do tempo.

O especialista também alertou para o crescimento do uso de hormônios entre jovens que acreditam não ser possível conquistar um corpo atlético sem recorrer aos anabolizantes.

“É perfeitamente possível conquistar um físico estético e saudável apenas com treino, alimentação adequada, constância e organização da rotina. O problema é que muitos jovens estão acreditando que o hormônio é obrigatório”, destacou.

CONSCIÊNCIA E RESPONSABILIDADE

Apesar de reconhecer que muitos atletas utilizam hormônios visando performance e até retorno financeiro dentro do fisiculturismo, Bruno reforçou que a decisão deve ser tomada com total consciência dos riscos envolvidos.

“Cada pessoa é adulta e toma suas próprias decisões. Mas o mínimo necessário é conhecer claramente os riscos e realizar acompanhamento adequado. Não existe uso sem consequência”, afirmou.

O médico ainda ressaltou que exames de sangue isolados não são suficientes para garantir segurança no uso dessas substâncias. “Não adianta achar que fez exame de sangue e está tudo bem. Muitas alterações acontecem de forma silenciosa. É necessário avaliar coração, pressão arterial, função metabólica e diversos outros fatores”, explicou.

Ao final da entrevista, Bruno reforçou a importância do debate sobre o tema e defendeu mais conscientização, principalmente entre adolescentes e jovens adultos influenciados pelas redes sociais e pelos padrões estéticos cada vez mais extremos.

“O mais importante é que as pessoas entendam os riscos reais. Estamos falando de saúde e, em alguns casos, da própria vida”, concluiu.

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