Geral – 05/08/2012 – 07:08
Cerca de duas mil pessoas marcharam neste sábado, pacificamente, por algumas ruas de Santiago, capital do Chile, no “Dia do Despertar Cidadão”, que lembrou a repressão policial sofrida pelos estudantes há um ano depois que o governo negou aos jovens o direito de se manifestarem.
A marcha percorreu dez quadras e terminou com um ato cultural em frente ao Museu de Belas Artes, no Parque Florestal de Santiago. Participaram do protesto dirigentes estudantis, representantes e atores do mundo social e político.
No ato, os dirigentes pediram para se fazer um “panelaço” em massa, com o objetivo de chamar a atenção para o avanço nulo que, segundo os dirigentes estudantis, tiveram as reivindicações do movimento estudantil.
Os protestos que aconteceram praticamente durante todo o ano de 2011 exigiam que o governo voltasse a administrar a educação primária e a secundária, que as universidades particulares deixassem de lucrar com a educação, e que se garantisse na Constituição o direito a uma educação pública e de qualidade.
O porta-voz da Coordenadora Nacional de Estudantes do Ensino Médio, Cristopher Saravia, pediu aos chilenos “para se manifestarem esta noite com sua caçarola e frigideira por todas as reivindicações sociais que hoje afetam os chilenos”.
“Reivindicações de saúde, de diversidade sexual, de educação, muitas exigências que não são de grupos, demandas que vêm para mudar um sistema estabelecido, uma ditadura de mercado”, acrescentou.
No dia 4 de agosto de 2011, milhares de jovens tentaram chegar ao histórico ponto de reunião pactuado para dar início a uma marcha pela Alameda, desde a tradicional praça Itália, mas foram impedidos de fazê-lo por soldados das forças especiais da polícia perante a recusa do governo.
“A mobilização de hoje é uma comemoração do dia 4 de agosto do ano passado, da repressão que vivemos como movimento social e estudantil, mas também é uma forma de lembrar como os estudantes e sua família se sobrepuseram à repressão, e como continuamos lutando por mudar nossa educação”, disse o presidente da Federação de Estudantes da Universidad Católica, Noam Titelman.
No Chile, que tem 17,4 milhões de habitantes, há 1 milhão de alunos na educação superior, incluindo universidades e institutos técnicos, mas essa ampla cobertura contrasta com as elevadas dívidas que os jovens e seus pais devem contrair para financiar seus estudos.
Fonte: Midiamax


