14/09/2016 – Atualizado em 14/09/2016
Juliana Mansueli Nunes e Denis Carlos Ferreira são acadêmicos do curso de Administração da UFMS de Três Lagoas/MS.
Por: Correio do Estado
Sabemos que o nosso país atravessa um período de crises, quando a instabilidade política e financeira nos transmite incertezas. Tudo parece estar mais difícil, até mesmo solucionar problemas coletivos locais.
Nós, moradores de Três Lagoas-MS, sofremos com situações que carecem de visibilidade, em que pese o fato de as “cores” que as caracterizam serem um tanto sombrias. Os problemas de que tratamos neste artigo existem por vários locais da cidade, porém, nos arredores do campus II da UFMS e nos da AEMS, parecem sobressair-se, especialmente à noite, quando nem todos os gatos são pardos.
Talvez nunca se tenha escrito sobre o assunto, especificamente sobre a dificuldade que a classe acadêmica tem enfrentado nesse cenário. Então vamos lá.
Os que residem nas localidades próximas às duas universidades ou que precisam deslocar-se de uma universidade a outra para “pegar” seu veículo ou o transporte coletivo e retornar ao lar, enfrentam grandes dificuldades.
A primeira é que andar a pé por esses lados é um desafio! O pedestre não sabe o que fazer e, pois, trafega pela ciclovia às margens da BR, ou pelo canteiro central; só sabe que esse movimento não pode ser feito pela calçada; afinal de contas, calçadas não existem por ali. O que há – e predomina por ali – é uma trilha de mato e, quando chove, pura lama. Parece-nos que essa parte da cidade não foi pensada, planejada para o pedestre, mas somente para automóveis, caminhões (que são muitos) e motocicletas, que, por trafegarem por uma rodovia, se movimentam em alta velocidade, tornando o percurso ainda mais perigoso para quem precisa arriscar-se nele.
Quem poderia tomar providências? Ou vir em socorro de universitários e funcionários que prestam serviços nas duas instituições de ensino e em empresas das proximidades – já que, salvo melhor juízo, a área reúne (mais) características de área industrial? Prefeitura Municipal? Justiça? Ministério Público? Câmara de Vereadores?
Convidamos as devidas autoridades para transitar a pé por lá e, por um dia que seja, vivenciar nossa experiência cotidiana, sobretudo no período noturno.
Lembramos que a acessibilidade é princípio inscrito na Lei e, como tal – se a Lei preza a equidade –, deve existir (e fazer-se cumprir) para os pedestres em geral, em que se incluem os portadores de necessidades especiais, as gestantes e idosos, entre outros cidadãos.
Paradoxalmente, nessa área da cidade fica impossível andar a pé adequadamente: são buracos, mato, poeira ou lama, poças d’agua e riscos de morte.
E os terrenos à volta? Ou aqueles que estão no nosso trajeto para casa? Tomados pelo mato, entulho, sem muros – e sem calçadas. Grandes lotes, em uma área industrial do município, bem valorizados e avaliados.
Será que seus proprietários não deveriam zelar pela limpeza de suas propriedades, já que eles estão ali em stand by, justamente esperando a valorização? Será que nós, cidadãos comuns, temos que arcar com os riscos do descaso dos especuladores? Ou, no período de seca, suportar a fumaça das queimadas (aliás, crime ambiental!) do matagal que ali cresce? Além disso, outros perigos em nosso caminho podem esconder-se nesses lotes.
Não bastassem essas dificuldades, vêm os problemas que potencializam todos os perigos: os riscos de morte; o “medo do escuro”. Afinal, a região é mal iluminada, e agora enfrentamos um black out: escuridão total em alguns trechos da Avenida Ranulpho Marques Leal, particularmente defronte ao portão principal do campus II da Universidade Federal, onde se localizam pontos de ônibus. Detalhe: também não sabemos a quem recorrer!
Prefeitura Municipal? Ministério Público? Empresa concessionária de energia? Quem poderia iluminar nossos caminhos? Quem poderia acender a luz no fim – e no início – do túnel?
Se não fosse dramático (por enquanto, porque está perto de tornar-se trágico), seria cômico dizer que quem sair por último não precisará apagar a luz…
Mas não estamos no mundo da ficção. Já são inúmeros casos e relatos de assaltos, violência, assédios, tentativas de estupro, que põem em pânico jovens que precisam todos os dias ir à busca da sua formação profissional ou do sustento e que, não bastassem as preocupações com estudo, com a distância da família, ainda temem pelos seus bens e, pior, temem pela perda da vida.
A classe universitária pede socorro. Há, na região mencionada, uma pré-disposição, já anunciada, para uma tragédia. Vamos esperar que isso se concretize para agir? Vamos abaixar as cortinas como ao final de um espetáculo teatral? Vamos fechar o jornal, desligar a TV, ou fechar os olhos e tapar os ouvidos? Não é só o nosso bem-estar que está em jogo; é nosso direito constitucional de ir e vir; é nosso direito à vida! Que sejamos vistos; que nossa voz se faça ouvir – e que a resposta não seja a política do silêncio…



