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Jornalista do Estadão relata momentos de pânico no navio acidentado

Geral – 15/01/2012 – 11:01

‘Pode parecer óbvia a comparação com o Titanic, mas a sensação era essa’, diz Alana Rizzo, jornalista do ‘Estado’ e vítima do naufrágio. Ela passava as férias com os pais no cruzeiro

Um, dois, três, quatro torpedos… Em curtas mensagens de textos repassadas pelo celular, a repórter Alana Rizzo, do Estado, relatou o desespero de passageiros e tripulantes que estavam a bordo do Costa Concordia. De férias na Itália, a repórter conduziu seus pais pelo labirinto de cabines e corredores do transatlântico até os botes salva-vidas. Eis o depoimento:

“O jantar estava sendo servido quando ouvimos um forte ruído. Pratos e copos começaram a deslizar e sentimos o navio tombando. A primeira reação foi correr para os andares mais altos. Chegamos à nossa cabine no oitavo andar e pegamos casacos e coletes. Aproveitei para pegar o celular que estava com sinal, o que não era comum durante a navegação. A tripulação tentava nos acalmar e dizer que a situação estava controlada. Insistiam para que ficássemos nas cabines, mas muitas portas estavam travadas com o peso dos moveis arrastados. Passageiros estavam feridos por estilhaços de vidro e outros tantos, em pânico. Decidimos descer até o andar dos botes. A luz dos corredores apagava e alarmes de emergência cifrados começaram a ser disparados. Ninguém sabia o que estava acontecendo até sentirmos o navio tombar mais uma vez, e cada vez mais rápido.

A entrada nos botes foi confusa. Crianças de colo, idosos em cadeiras de rodas, famílias inteiras tentando se salvar. Regras de prioridade obviamente não eram respeitadas e todos queriam entrar. Sabíamos que não havia barcos suficientes para as quase 5 mil pessoas a bordo. O bote demorou a descer, aumentando o desespero. A tripulação gritava por socorro.

Consegui ver um farol e algumas luzes, o que nos fez crer que estávamos próximos à terra. Quem não conseguia embarcar nos botes entrava em um desespero maior ainda. O bote nos levou até a Ilha de Giglio. Centenas de pessoas de todas as nacionalidades tentavam localizar parentes. Os 800 moradores da ilha nos recebiam com cobertores e chá quente.

O cenário era desolador. De longe víamos helicópteros tentando resgatar quem estava nos andares mais altos e barcos saíam em busca de quem tinha se atirado na água gelada. Pode parecer óbvia a comparação com o Titanic, mas a sensação era essa. Sem nenhuma informação, as pessoas vagavam pela margem da ilha. Fazia muito frio e as pessoas se enrolavam em sacos plásticos, papéis, o que aparecesse pela frente.

Ficamos na igreja local até um ferryboat chegar para nos levar ao continente. Desembarcamos em uma cidade que até agora não sei o nome. Hospitais de campanha tinham sido montados, a Cruz Vermelha distribuía cobertores e nem sinal de representantes da empresa. Fomos levados a um ginásio. Os rostos estavam desolados e as pessoas ainda tentavam entender o que tinha acontecido. Contavam-se ainda mortos e desaparecidos.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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