A artesã três-lagoense e seu filho emocionaram Toninha Campos ao transformar superação, artesanato e até um corte de cabelo em tributo à rádio
Na manhã desta segunda-feira, 26, o estúdio do ‘Bom Dia Toninha Campos’, da 96 Caçula, foi tomado por emoção, cores e muitas histórias de superação. A artesã Joelma Mendes e seu filho Juliano Valério, que é fã declarado da emissora, participaram do programa e encantaram ouvintes e equipe ao apresentar uma homenagem especial à rádio: um papagaio artesanal, símbolo da Caçula, além de chaveirinhos exclusivos inspirados na emissora.
Entre risadas, admiração e muita emoção, Toninha Campos se declarou apaixonada pelas peças. “Estamos aqui extremamente apaixonados… olha que coisa linda!”, repetia a apresentadora, cercada por papagaios, tucanos, araras e outros animais confeccionados à mão, todos cheios de significado.

ARTESANATO QUE SALVOU E TRANSFORMOU VIDAS
Durante a entrevista, Joelma abriu o coração ao contar que o artesanato surgiu em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Enfrentando depressão, dificuldades financeiras e os desafios de criar filhos com laudos, entre eles autismo nível 1 de suporte, TDAH, dislexia e doença celíaca, ela encontrou na arte uma forma de recomeçar.

“O artesanato veio para me salvar”, afirmou. Cada peça criada por ela carrega não apenas técnica, mas também histórias reais de mães, crianças e famílias atípicas. Um dos principais símbolos do seu trabalho é o tamanduá, escolhido como mascote da AMA (Associação de Mães de Autistas) por representar características do autismo, como a seletividade alimentar e o comportamento mais solitário.
RECONHECIMENTO QUE ULTRAPASSA FRONTEIRAS

O talento de Joelma já ganhou o Brasil e até o exterior. Suas peças estão presentes em lojas de Três Lagoas, na Casa do Artesão, em shopping centers e até fora do país. Tudo feito com moldes autorais, criados por ela mesma, sem uso de modelos da internet.
Além disso, o filho Juliano também segue pelo caminho da arte. Portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele encontrou no amigurumi (pequenos bonecos fofos de crochê ou tricô, de origem japonesa) um hiperfoco e hoje produz peças únicas, no seu tempo, com muita dedicação, um exemplo de como a arte também pode ser terapia, inclusão e autonomia.
Outro momento que chamou atenção foi a história do corte de cabelo artístico feito em Juliano, com o número da frequência da Caçula, 96.9 e o nome da Rádio Caçula desenhados na cabeça. O responsável foi Kauã Mota, jovem barbeiro de apenas 17 anos, que conquistou a confiança do Juliano e da família.

“Depois que começou a cortar com o Kauã, meu filho nunca mais entrou em crise no corte de cabelo”, contou Joelma, destacando a importância da sensibilidade e do acolhimento no atendimento a pessoas autistas.
Natural de Londrina (PR), Joelma se considera hoje três-lagoense de coração. Foi na cidade que ela e os filhos encontraram acolhimento, tratamento, apoio e oportunidades para recomeçar. Hoje, além de gerar renda com seu trabalho, ela também ajuda outras mães que não conseguem trabalhar fora, oferecendo espaço, aprendizado e acolhimento em seu ateliê. “Eu renasci aqui. Meus filhos renasceram aqui”, resumiu, emocionada.


