Consultora em hanseníase da SES MS destacou as ações do Estado, além da capacitação de profissionais e necessidade de informação para quebrar estigmas da doença
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) tem reforçado neste ‘Janeiro Roxo’, que é o mês de conscientização sobre a hanseníase, a importância do diagnóstico precoce, da busca ativa de casos e do combate ao preconceito que ainda cerca a doença.
Em entrevista ao Café da Manhã, da Caçula FM, nesta quinta-feira, 15, a consultora em hanseníase da Gerência de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas da SES, Fabiana Pisano, falou sobre os desafios do controle da doença e as ações que o Estado vem desenvolvendo para fortalecer o atendimento à população.
“A hanseníase é uma doença crônica e infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos de face, mãos e pés. O objetivo do Janeiro Roxo é reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno. Isso quebra a cadeia de transmissão e previne incapacidades físicas”, destacou Fabiana.
Segundo dados, Mato Grosso do Sul registrou 1.950 casos de hanseníase entre 2021 e 2025. Houve queda durante o período da pandemia, mas o número voltou a crescer nos últimos dois anos em razão da intensificação das ações de busca ativa e capacitação de profissionais em todos os 79 municípios do Estado.
“A partir de 2021, retomamos fortemente a busca ativa de casos e as capacitações. O aumento em 2024 e 2025 é reflexo de um trabalho mais profundo, com o projeto Sasakawa e o apoio do Hospital São Julião e do Ministério da Saúde”, explicou Fabiana.
Uma das principais estratégias do programa estadual é o uso da plataforma Telesaúde para capacitar profissionais que atuam em municípios menores. A próxima formação acontece no dia 21 de janeiro, com especialistas que abordarão temas como diagnóstico, manejo clínico, exames de apoio e tratamento. “Queremos alcançar profissionais de todos os municípios. A aula ficará gravada para quem não puder acompanhar ao vivo”, informou Fabiana.
Ela também destacou o papel fundamental dos agentes comunitários de saúde (ACS) na identificação dos casos. “São eles que estão no dia a dia com as famílias e podem encaminhar pessoas com suspeita da doença para avaliação. Capacitar os agentes é essencial para fortalecer a atenção primária”, ressaltou.
A consultora lembrou que os familiares e pessoas que convivem com pacientes diagnosticados devem ser avaliados nas unidades de saúde. “Os chamados contatos domiciliares precisam ser examinados, pois podem ter sido expostos à bactéria. Essa é uma das medidas mais eficazes para interromper a transmissão”, explicou.
Um dos principais desafios no combate à hanseníase é o estigma histórico que ainda persiste. Fabiana reforçou que a doença tem cura, o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não há risco de transmissão após o início do tratamento.
“A desinformação é o que causa preconceito. Hanseníase não se pega com abraço, aperto de mão ou por compartilhar objetos. É importante divulgar as informações corretas para eliminar o medo e incentivar o diagnóstico precoce”, afirmou.
Ela também alertou para os sinais de alerta da doença: manchas brancas, avermelhadas ou acastanhadas com alterações na sensibilidade, formigamento, ou perda de força em mãos e pés. “Ao perceber qualquer um desses sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde imediatamente”, orientou.
Fabiana reforçou que a informação e o acolhimento são as melhores armas contra o preconceito e as sequelas da hanseníase. “O diagnóstico precoce é uma ferramenta poderosa para combater o estigma. Quando a pessoa é bem informada e acolhida, ela segue o tratamento corretamente e pode levar uma vida normal”, finalizou.


