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Irmão de pastor acusado de estupro por fiéis presta depoimento no RJ

Policial – 22/05/2013 – 17:05

O irmão do pastor Marcos Pereira, Allan Pereira, chegou por volta de 11h desta quarta-feira (22), para prestar depoimento na 64ª DP, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Mulheres que acusam o pastor pelo crime de estupro, registraram queixa de difamação e injúria contra o irmão do religioso, que publicou em sua página no Facebook ofensas e fotos das vítimas.

O depoimento de Allan à durou cerca de 50 minutos. Segundo o delegado, Delmir Gouvea, o irmão do pastor Marcos Pereira, Allan Pereira negou as declarações postadas no facebook. “Ele negou inicialmente o fato. Embora os fatos estejam impressos no facebook dele, ele reservou-se o direito de falar em juízo sobre os quatro procedimentos que foram efetuados aqui. Um em relação ao delegado como vítima da Decod, outro de duas testemunhas e vítimas e o terceiro em relação ao pastor Rogério que é marido de uma das vítimas”, disse o delegado.

Allan foi chamado à delegacia para explicar à polícia imagens publicadas em seu perfil na rede social, de vítimas e testemunhas que acusam o pastor Marcos Pereira de abuso sexual. Também em seu perfil na rede social, ele chamou o delegado Márcio Mendonça Dubugras, da Delegacia de Combate ao Tráfico de Drogas (Dcod), de “advogado do diabo”.

Na 64ª DP, foram feitas três ocorrências de injúria contra Allan e uma queixa de ameaça ao marido de uma das vítimas. Segundo o delegado, as penas para Allan, se a acusação for levada adiante e ele for condenado, podem somar 3 anos e meio de retenção.

Abusos relatados

Uma das mulheres que acusam o pastor Marcos Pereira de estupro relatou, em depoimento nesta terça-feira (21), ter sofrido abusos recorrentes do pastor entre 1991 e 2008. Segundo ela, que pede para não ter o nome publicado, os abusos só pararam, quando ela decidiu sair da igreja de Marcos. Nesse meio tempo, ela diz ter sido estuprada quatro vezes pelo pastor.

Allan Pereira deixa a delegacia na manhã

desta quarta (22) (Foto: Renata Soares/ G1)

“Teve um dia que ele mandou me chamarem em minha casa. Mandou até gente para cuidar dos meus filhos porque já sabia o que ia fazer. Quando eu cheguei, ele me puxou pelo braço, fechou a porta, foi violento. Me fez deitar”, disse. Segundo ela, Marcos a estuprou e depois mandou ela se lavar. “Quando eu voltei do banheiro, ele perguntou se eu estava com raiva dele, se eu o perdoava”, disse. 

A mulher afirma que acreditava nos dizeres do pastor e que não o denunciou antes por medo. De acordo com ela, Marcos fazia ameaças constantes .”Até então, para mim, ele era uma autoridade de Deus. Sempre falava que ia prestar conta com deus. Eu fui criada acreditando no Deus que castiga, que fere. Quando ele passou a fazer isso comigo, o véu caiu”, afirmou.

Vídeos investigados

O delegado Márcio Mendonça Dubugras investiga ainda em que circunstâncias uma suposta vítima do pastor Marcos Pereira gravou um vídeo desmentindo o seu depoimento, em que afirmava que havia sido amarrada por ele, jogada na cama e obrigada a manter relações com o religioso.

Segundo a Polícia Civil, o delegado averigua se ela foi ameaçada ou coagida para dar essa versão. Ainda de acordo com a polícia, até as 13h desta sexta, a vítima que se identifica como Elisângela, em vídeo divulgado no YouTube, não procurou a delegacia para desmentir o depoimento prestado.

Ainda conforme informou a Polícia Civil, se for constatado na Justiça que a vítima mentiu em depoimento, ela pode responder judicialmente pelo ato.

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) também informou que a suposta vítima não procurou o órgão para desmentir o depoimento, que consta na denúncia contra o pastor Marcos Pereira. A promotora Luciana Barbosa Delgado, da 2ª Promotoria de Justiça, informou ainda que o vídeo foi anexado ao processo e será analisado.

Voltou atrás

No vídeo, a vítima declara “ter medo por sua vida e pelos seu familiares, não pela igreja, mas pelo Afroreggae, que se me achou em Macaé, pode me achar em qualquer lugar”, declarou a vítima.

Elisângela afirma ainda que mentiu em depoimento pois havia se desentendido com outras pessoas na igreja, porém, que se “arrependeu após ver que o pastor foi parar na prisão”. Ela fala ainda que “não é justo ele pagar por um erro que foi exclusivamente meu”.

MP denuncia

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) denunciou, na quinta-feira (9), o pastor Marcos Pereira por dois estupros. Ele foi preso na noite de terça (7), suspeito de ter abusado sexualmente de seis fiéis. De acordo com as denúncias, foram instaurados seis inquéritos policiais – um para cada vítima – a fim de facilitar a individualização dos crimes.

Segundo o MP-RJ, o pastor agiu da mesma forma com as duas vítimas que figuram nas denúncias: jogou as mulheres na cama, arrancou a roupa delas e as forçou a praticar sexo. As vítimas moravam no alojamento da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, mantendo uma relação de dependência com Marcos Pereira.

Na denúncia, os promotores relatam que ele negava até mesmo material de higiene às mulheres que se recusavam a manter relações sexuais com o acusado.

“Pelos relatos das testemunhas, principalmente das mulheres, verifica-se que estamos diante de um verdadeiro depravado, degenerado, pervertido sexual, capaz de fazer as coisas mais baixas e sempre se aproveitando da sua condição de líder maior da Igreja”, diz o texto de uma das denúncias, assinadas pelos promotores Rogério Lima Sá Ferreira e Adriana Lucas Medeiros, que pediram à Justiça a prisão preventiva do acusado, que está no Complexo Penitenciário de Bangu.

Pastor Marcos Pereira é acusado de estupro no Rio

e foi levado para o Complexo Penitenciário de Bangu

(Foto: Seap/Divulgação)

Outros crimes

Marcos Pereira também é investigado por homicídio, associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Trinta pessoas já prestaram depoimento contra o pastor. Segundo um ex-braço direito do religioso, certa vez, o pastor obrigou o amigo a guardar mochilas com aproximadamente R$ 400 mil em sua casa.

Após ouvir as vítimas, o delegado Márcio Mendonça revelou, na quarta-feira (8), que o suspeito dizia às mulheres que elas estavam “possuídas” e que só iriam se livrar do “mal” caso tivessem relação sexual com um religioso. Entre as vítimas está a ex-mulher e uma jovem que disse ter sido estuprada dos 14 aos 22 anos. A polícia apura a possibilidade de outras mulheres terem sido abusadas.

“Ele tinha um comportamento semelhante quando estuprava as mulheres dentro da própria igreja. Ele dizia que elas estavam possuídas, demoniadas e ele fazia crer que a única forma que essas pessoas pudessem ser libertadas daquele demônio era tendo relação com uma pessoa santa”, afirmou o delegado Márcio Mendonça.

A prisão

Ao ser encaminhado para a delegacia, o pastor não quis comentar a prisão e disse que não sabia quais eram as acusações. “Não tenho ideia”, disse. Imagens gravadas pela Polícia Civil do Rio mostram o momento da prisão de Marcos Pereira.

A prisão ocorreu na Avenida Brasil, quando o pastor seguia em direção a Copacabana, na Zona Sul da cidade. Ele estava acompanhado por fiéis da igreja. Contra Marcos, havia dois mandados expedidos pela Justiça.

O G1 entrou em contato com a assessoria da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, localizada em São João de Meriti que informou, por meio de nota que o pastor Marcos Pereira é inocente e sua conduta como homem de Deus, prova isso.  A assessoria acrecentou ainda que todos estão “indignados com a injustiça e que isso não passa de especulação”.

Fonte: G1

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