15/10/2016 – Atualizado em 15/10/2016
Hospital havia confirmado morte encefálica após espancamento e família quer transferência para UTI
Por: Marcio Ribeiro com Midiamax
A família do suposto terrorista Valdir Pereira da Rocha, de 36 anos, espancado na Cadeia Pública de Capão Grande, em Várzea Grande, pediu a transferência da vítima do Pronto Socorro da cidade para o Hospital São Matheus, em Cuiabá. Valdir teve diagnóstico de morte encefálica, mas hospital voltou atrás e disse que ele segue em observação, com quadro de traumatismo.
De acordo com informações do jornal Olhar Direto, inconformadas com primeiro diagnóstico apresentado pelo hospital, de morte encefálica, a mãe e a esposa do preso não aceitariam o desligamento dos aparelhos que o manteriam vivo desde sexta-feira (14), quando foi espancado.
A morte encefálica do suspeito havia sido confirmada pela assessoria de imprensa do Pronto Socorro de Várzea Grande, que voltou atrás e informou que a equipe médica não pode atestar a situação, uma vez que o paciente permanece respirando e segue em observação, segundo apurado pelo jornal local.
Ainda segundo o jornal local, o delegado Marcelo Jardim, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa, informou que investigadores foram enviados ao local e constataram que não houve perfurações no corpo de Valdir, que apresentava traumatismo craniano decorrente da agressão. O delegado também explicou que ainda não foi acionado novamente, já que a morte não foi confirmada, mas que está tomando providências necessárias para investigação. Para ele, mesmo com UTI, não há chance de que o quadro de saúde do preso seja revertido.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Pronto Socorro de Várzea Grande afirma que o paciente permanece internado no setor de emergência respirando por aparelhos. “Ele apresenta trauma encefálico e seu quadro de saúde é gravíssimo. Ele precisa de uma vaga numa UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), que no momento não existe nenhuma disponível no Pronto-Socorro de Várzea Grande. A vaga em UTI para o paciente está regulada desde a noite de ontem (sexta-feira), mas até o momento não surgiu nenhuma vaga”, diz a nota.
Acusado por envolvimento com terrorismo, Valdir estava preso na Penitenciária Federal de Campo Grande e foi transferido para Várzea Grande, sob pedido de que permanecesse com uso de tornozeleira eletrônica em regime fechado. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso explicou que o caso de espancamento está sendo investigado pela Polícia Judiciária Civil e que não há informações sobre a quantidade de presos envolvidos no espancamento do suposto terrorista.
Operação Hashtag
A operação que levou à prisão de Valdir e outros doze suspeitos foi deflagrada em julho deste ano. Além dos detidos, farta quantidade de material como mídias, celulares e outros equipamentos foram apreendidos com os suspeitos. Entre os materiais colhidos estão cerca de 4 mil páginas com mensagens dos investigados em redes sociais, que fariam referência ao ato terrorista que seria executado durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, foram interceptadas mensagens determinando o início da prática de artes marciais e a tentativa de compra de um fuzil AK-47 em um site clandestino de vendas de armas paraguaio. As prisões ocorreram depois que os integrantes passaram de vangloriar atos terroristas recentes no mundo e a dizer que o Brasil seria um bom alvo para ataques por causa do fluxo de estrangeiro nas Olimpíadas.
As prisões foram as primeiras realizadas em solo brasileiro com com base na lei antiterrorismo, sancionada em março. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.



