Faixa etária de 30 a 59 anos é a que predomina entre os homens vítimas.
MIDIAMAX – Os casos de violência doméstica contra homens têm números irrisórios se comparados aos crimes cometidos contra a mulher, e não chegam a 10% dos registros. Porém, o crime no contexto familiar também faz homens vítimas. Em três anos, pouco mais de 5 mil homens, entre idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças, foram vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul. O número pode ser maior, já que muitas vezes a vergonha faz com que o crime seja omitido.
Contra o homem, o crime tem muitas características semelhantes ao praticado contra a mulher, causas, motivações, porém os registros não. Em sua maioria, os registros são feitos contra outros homens, sendo eles pais, irmãos, outras pessoas do ambiente familiar, isso porque o crime quando é praticado pela figura feminina é omitido.
“Chamamos de cifras negras, que é quando os crimes ocorrem, a sociedade sabe, o poder público sabe, mas não há registro formalizado, porque há psicologicamente uma certa vergonha da parte da vítima levar ao poder público uma agressão física por parte de uma mulher. Existe uma certa vergonha do homem, em uma sociedade que está mudando, mas ainda é uma sociedade machista, patriarcal, onde o homem teria que ser o suporte financeiro da família e tem vergonha de se mostrar às vezes devedor, precisando da mulher financeiramente. Então, na maioria dos casos onde o agressor é mulher, a cifra negra aparece“, explica o professor de direito da Uniderp, Rafael Sampaio.
“Quando o agressor é mulher, há mais omissão nos registros, já quando é homem, aparecem mais“, disse. A violência, segundo Sampaio, se assemelha muito aos casos em que a vítima é mulher, como, por exemplo, há os crimes patrimoniais, psicológicos, até casos mais graves como agressão e abuso sexual.


