Policial – 21/01/2013 – 19:01
Simulando estar armado e afirmando ser membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), uma homem de idade aproximada de 30 anos, roubou os ocupantes de um ônibus interestadual da Reunidas, na madrugada de ontem. O assalto começou em Andradina (SP) e terminou em Três Lagoas (MS). Os passageiros perderam quantias individuais que variam entre R$100 e R$4 mil, mais celulares.
O ônibus saiu de Bauru (SP) às 21 horas de sábado e seguia para Campo Grande (MS). Em Araçatuba (SP), por volta das 23h50min, mais passageiros embarcaram, inclusive o assaltante que não despertou suspeita alguma e sentou-se na poltrona número 16.
“Ele entrou como qualquer outro passageiro, sem esconder o rosto, nada demais. Nunca imaginaria que seria um assaltante”, disse o motorista do ônibus, de 51 anos, que prefere não ser identificado. Ele atua como motorista há 21 anos e nunca havia sido assaltado até ontem.
Quando o ônibus passou por Andradina, quase na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, o homem saiu da poltrona e foi até a cabine do motorista. “Ele encostou algo nas minhas costas, com se fosse uma arma, mas seu não vi. Disse que aquilo era um assalto, que ele era do PCC e pediu pra eu pensar na minha família a seguir o que ele estava mandando”, descreve o motorista.
Diante disso, o bandido pegou o celular do motorista, tirou a bateria e devolveu o aparelho. Mandou ele seguir dirigindo e avisou que havia um veículo seguindo o ônibus que estava dando cobertura à ação criminosa.
Fechou a cabine do motorista e por volta da 1h30min anunciou o assalto. “Ele mandou fecharmos as cortinas do ônibus e disse que havia uma pessoa rendendo o motorista, armada, e que havia um carro dando cobertura. Disse que era do PCC e qualquer reação colocaria fogo no ônibus como em outros casos que apareceram na televisão”, contou uma das passageiras, Elaine Lima, 35 anos, que teve subtraídos R$ 350,00 e celular na ação. Ela voltava de férias do interior de São Paulo para Dourados (MS).
Segundo passageiros entrevistados pela reportagem na Delegacia de Polícia de Campo Grande, toda a ação criminosa não passou de 20 minutos. “Ele pediu para tirarmos o dinheiro da carteira e passava com uma sacola de poltrona em poltrona recolhendo. Disse que depois de Três Lagoas, os bandidos que estavam no carro fariam todos do ônibus descerem e todos ficariam sem roupa. Se eles encontrassem dinheiro escondido, matariam a pessoa”, relatou o passageiro Ivanildo Torres, 43 anos, que voltava de férias da Bahia para Três Lagoas, onde trabalha como operário de uma fábrica de celulose. Ele perdeu R$ 400 mais celular no assalto.
Como medo, as pessoas foram entregando o dinheiro, mas nenhuma delas – a reportagem conversou com 7 dos 36 passageiros – visualizou a arma, apenas algo embaixo da camiseta do assaltante, que poderia ser a própria mãe dele ou algum objeto.
Em Três Lagoas, depois de subtrair todos os pertences, o assaltante pediu para o motorista parar o ônibus e então desceu. “Havia mesmo um veículo dando cobertura e ele entrou neste carro. Antes, pediu pra eu seguir, sem parar, até Campo Grande. Foi o que eu fiz. Chegamos aqui por volta das 7h já viemos para a delegacia”, pontuou o motorista.
O boletim de ocorrência foi confeccionado em Campo Grande, mas foi remetido à Andradina, onde o assalto foi anunciado para prosseguimento das investigações.
Não havia prisões até o fechamento da edição. No ônibus assaltado não havia câmeras de segurança.
Fonte: Correio do Estado


