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domingo, 19 de julho, 2026

Hemosul promove ações pelo Dia Mundial da Hemofilia

Evento reúne especialistas e pacientes em Hemosul e reforça importância do acesso à informação e novas terapias

Em alusão ao Dia Mundial da Hemofilia, celebrado em 17 de abril, o Hemosul promoveu, no dia 13, um encontro que reuniu especialistas, pacientes e familiares para discutir avanços no tratamento, desafios e a importância do acesso à informação. A programação continua na quinta-feira (16), com uma capacitação online voltada a profissionais da saúde.

O Brasil vive um momento de evolução no cuidado com a hemofilia, com a incorporação de novas terapias e maior acesso ao tratamento. A presidente da ABRAPHEM (Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia), Indianara Galhardo, destacou o impacto dessas mudanças. “As novas terapias trazem mais autonomia e qualidade de vida para os pacientes”.

Ela também reforçou a importância da participação da sociedade na construção das políticas públicas. “As consultas públicas são fundamentais. A vivência do paciente já é suficiente para contribuir e ajudar a melhorar o sistema”.

A hemofilia é uma condição principalmente genética que acompanha o paciente desde o nascimento e exige adaptação constante ao longo da vida, embora existam também casos raros adquiridos.

O presidente da APHEMS (Associação de Pessoas com Hemofilia e Outras Coagulopatias Hereditárias do Mato Grosso do Sul), Néder Gustavo dos Santos, destacou a importância da informação. “Estamos trazendo os protocolos atualizados para esclarecer dúvidas e aproximar os pacientes do tratamento”.

Rede estruturada e acesso ao tratamento

No Mato Grosso do Sul, o atendimento é centralizado na Rede Hemosul, com ambulatório especializado e distribuição de medicamentos em todo o Estado. A coordenadora da rede, Marina Sawada Torres, destacou o avanço no acesso. “Hoje conseguimos atender pacientes da Capital e do interior, com uma rede estruturada e maior acesso aos medicamentos”.

Ela também enfatizou o impacto das novas terapias. “Antes, muitos não podiam praticar atividades físicas. Hoje, com os tratamentos, conseguem ter uma infância mais ativa e com mais qualidade de vida”.

A hemofilia é causada por uma alteração genética que compromete a coagulação do sangue, aumentando o risco de sangramentos. A médica hematologista Rosânia Maria Basegio explica. “O homem tem apenas um cromossomo X. Quando recebe a alteração genética da mãe, ele manifesta a doença”.

Sobre as complicações, ela alerta. “Sem os fatores de coagulação, o sangramento não é controlado e pode causar problemas importantes, principalmente nas articulações e músculos”.

Evolução dos tratamentos

Os avanços recentes têm transformado a forma de tratar a hemofilia, tornando o cuidado mais eficaz e menos invasivo. A enfermeira em hematologia Érika Cristina Rosa destacou. “A medicação subcutânea facilitou muito o tratamento, principalmente para crianças, que tinham dificuldade com a punção venosa”.

Ela também ressaltou que novas terapias continuam sendo estudadas. “Já existem pesquisas para tratamentos semelhantes voltados também para pacientes com hemofilia B”.

Durante o evento, foi apresentado o emicizumabe, recentemente incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde). A farmacêutica Renata Neves explicou. “É um medicamento subcutâneo, que representa um grande avanço em relação ao modelo anterior, que era exclusivamente venoso”.

Segundo ela, o medicamento amplia o acesso. “Ele foi liberado de forma mais abrangente para pacientes de até 6 anos, facilitando o tratamento”.

Impacto direto na vida das famílias

Para os pacientes e familiares, o acesso ao tratamento faz toda a diferença na qualidade de vida. A mãe de paciente Juliana Mota Miller relatou. “Depois que ele começou o tratamento com a nova medicação, a vida dele mudou. Hoje ele tem uma rotina praticamente normal”.

Dando continuidade às ações da semana, será realizado nesta quinta-feira (16) um evento voltado a profissionais da saúde de todas as áreas, incluindo estudantes. A atividade será online, com certificação de duas horas, e contará com a participação do especialista André Cruz, da Roche Farma Brasil, que abordará protocolos para o tratamento da hemofilia.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link:
https://www.cursos.ms.gov.br/Hemosul/Home/DetalhesEvento/4007

O objetivo é ampliar o conhecimento técnico, fortalecer o diagnóstico precoce e qualificar o atendimento às pessoas com hemofilia e outras coagulopatias na rede pública.

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