29.2 C
Três Lagoas
sexta-feira, 20 de fevereiro, 2026

Heleno ganha respaldo de ministros e Congresso vira alvo

Além de Damares e Weintraub, filhos de Bolsonaro apoiam discurso anti-Congresso

21/02/2020 17h10
Por: Terra

BRASÍLIA – O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro, não está sozinho em suas críticas ao Congresso. A acusação de que os parlamentares fazem “chantagem” com o governo ganhou respaldo de outros ministros. Ao pedir ao presidente Jair Bolsonaro para convocar “o povo às ruas” contra o acordo do Orçamento impositivo, Heleno também insuflou a ala ideológica do Planalto e movimentos bolsonaristas, que voltaram a subir o tom nas redes sociais contra o Legislativo.

Foi apurado na reunião da última terça-feira (18), no Palácio da Alvorada, quando Heleno expôs seu descontentamento, os ministros Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Abraham Weintraub (Educação) endossaram a posição do general. Participantes do encontro relataram que o acerto fechado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, com os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi criticado abertamente durante a reunião.

Nas redes sociais, pouco depois da divulgação das declarações de Augusto Heleno, grupos bolsonaristas começaram a convocar uma manifestação contra o Congresso para o dia 15 de março. As hashtags #SomosTodosHeleno e #SomosTodosBolsonaro apareceram entre os assuntos mais comentados no Twitter desde a eclosão da nova crise envolvendo o Executivo e o Legislativo, na última quarta-feira (19).

Os filhos do presidente ajudaram a engrossar o coro contra o Congresso. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reforçou a hashtag #SomosTodosBolsonaro, enquanto o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) disse que, em governos anteriores, Executivo e Legislativo tinham “relações promíscuas”.

“Ninguém viu a democracia ameaçada quando os poderes Executivo e Legislativo mantinham uma relação promíscua durante todos os anos anteriores ao governo Jair Bolsonaro, que resultaram no mais catastrófico escândalo de corrupção de nossa história”, escreveu Carlos.

A publicação do filho 02 de Bolsonaro foi uma reação às manifestações dos presidentes das duas Casas sobre as críticas de Heleno. Maia disse que o ministro do GSI, um dos principais auxiliares de Bolsonaro, virou “um radical ideológico”. Alcolumbre afirmou em nota que “nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento.”

‘Democracia’

Apesar de irritado com o acordo com o Congresso sobre o Orçamento, Bolsonaro pediu calma aos envolvidos na crise. Em meio aos atritos entre Executivo e Legislativo, o presidente postou nas redes sociais que “a democracia nunca esteve tão forte”.

Na semana passada, o time de auxiliares considerado mais radical – e ligado ao guru bolsonarista Olavo de Carvalho – se sentiu enfraquecido após Bolsonaro “militarizar” o Palácio do Planalto com a indicação do general Walter Braga Netto para ministro-chefe da Casa Civil. No mesmo dia em que o Diário Oficial da União (DOU) trouxe a nomeação, também foi confirmada a chegada do almirante Flávio Augusto Viana Rocha para o comando da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ligada ao gabinete presidencial.

A crise desencadeada pelas declarações de Heleno foi vista como a oportunidade para o grupo olavista recuperar espaço no governo e voltar a influenciar as decisões de Bolsonaro, visto que o episódio expôs um cisma, ainda que pequeno, entre dois militares. A fala do chefe do GSI foi uma crítica não apenas ao Congresso, mas também à articulação do ministro Luiz Eduardo Ramos. Para alguns integrantes do governo, o general Ramos “meteu os pés pelas mãos” ao adotar um estilo de articulação que cede às reivindicações das lideranças da Câmara e do Senado.

A ala olavista, que sempre pregou ruptura com os demais Poderes, avaliou que, como partidos e parlamentares estão em campanha, a pressão popular pode definir o jogo no Congresso, sem passar pelas negociações com os chefes das duas Casas Legislativas.

Para auxiliares ligados à pauta ideológica, Bolsonaro, em nome do bom relacionamento com Maia e Alcolumbre, se afastou de sua base mais inflamada e disposta a ir às ruas para pressionar parlamentares e o Judiciário. Até o início do segundo semestre de 2019, manifestações pró-governo ocorreram em diversos pontos do País, mas, sem incentivo explícito do presidente, o ímpeto dos manifestantes, disseram, arrefeceu.

Ministro do GSI, Augusto Heleno. Foto: REUTERS/Adriano Machado

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Mato Grosso do Sul sedia Fórum Nacional de Secretários de Planejamento em março

Evento em Campo Grande reunirá gestores de todo o país para debater planejamento estratégico, orçamento público e gestão de investimentos Mato Grosso do Sul será...

Corpo de Bombeiros intensifica preparação para Operação Pantanal 2026

Com foco na prevenção de incêndios, preparação inclui manutenção de equipamentos, uso de novas tecnologias e treinamento de equipes O Corpo de Bombeiros Militar de...

Caixa paga Bolsa Família de fevereiro para beneficiários com NIS final 5 nesta sexta-feira

Pagamentos seguem calendário escalonado conforme o NIS, com adicionais para crianças, gestantes e nutrizes elevando o valor médio do benefício A Caixa Econômica Federal realiza...