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‘Guerra eletrônica’ vai mudar o mercado de carros compactos populares no Brasil

11/08/2014 – Atualizado em 11/08/2014

Concorrência entre fabricantes ampliará rapidamente a oferta de recursos sofisticados

Por: R7

Foi-se o tempo em que os brasileiros apontavam os carros pelo tamanho do motor, pelo design ou pelos itens de conforto — como ar, direção e câmbio automático. Pesquisas recentes feitas por várias empresas confirmam a mudança de paradigma: o consumidor já vê no conteúdo eletrônico um diferencial decisivo na compra. Uma central multimídia com Bluetooth, porta USB e tela no painel, por exemplo, pode definir a escolha por um modelo.

Para Flavio Sakai, diretor de marketing e vendas da Harman, fabricante de sistemas profissionais de áudio, vivemos um tempo em que “tudo começa a ser mais software do que hardware”.

— As pessoas já falam no conteúdo do veículo, se tem leitor de mensagem, se o carro fala com você, se tem um recurso de segurança ativa, um sistema de emergência, se o carro alerta quando o motorista está com sono… Óbvio que o motor é importante, mas o consumidor está enxergando valor em sistemas como o start/stop, que ajuda a economizar. É bom para a vida, para o meio ambiente, para o planeta e para todos.

Entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro, Sakai presidirá o Comitê de Telemática e Infotainment no Congresso Sae Brasil 2014, em São Paulo. Entre as pautas estão as desejadas centrais multimídia que invadiram o mercado em 2013. Sem revelar detalhes, o executivo contou que a Harman vai produzir centrais em larga escala a partir de outubro para uma grande montadora. Está prevista a entrega de 1 milhão de unidades por ano.

Novo Ford Ka liga para o Samu

Assim como os sistemas de conectividade com smartphones, a oferta de recursos de segurança ativa também está prestes a ganhar uma nova dimensão nos compactos de R$ 30 mil. Em setembro, a nova geração do Ford Ka chegará às concessionárias com conteúdos jamais vistos na categoria. É o caso dos controles eletrônicos de estabilidade e de tração, e do assistente de saída em ladeiras, que trava os freios por cinco segundos para o carro não “descer”.

Além desses itens, o novo Ka terá um recurso verdadeiramente inédito: será o primeiro carro nacional equipado com um sistema de emergência que liga para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) após um acidente, informando sua localização. Claro, não estamos falando de uma simples batida: o recurso só contacta o Samu se registrar colisões em série, capotamentos, explosão dos air bags frontais ou o corte da bomba de combustível.

Segundo Kalus Mello, gerente de engenharia da Ford, o que possibilitou inserir essas tecnologias no novo Ka foi a adoção de uma plataforma global — no caso, derivada do New Fiesta.

— As arquiteturas globais nos permitem instalar certos recursos que antes eram oferecidos somente em modelos de categorias superiores. O volume maior barateia o custo desses equipamentos, ajudando a preservar a lucratividade do negócio. Esse é o trunfo de se globalizar a linha de produtos. A empresa ganha diluindo o custo, e o consumidor passa a ter acesso a tecnologias de última geração.

Carros vão desligar o motor sozinhos para poupar combustível

Essa transformação do mercado de carros populares ganhará novos capítulos já em setembro. Segundo o parceiro Autos Segredos, a Fiat lançará o Uno 2015 com start/stop nas versões 1.0 e 1.4 flex, fornecido pela Bosch. O recurso desliga o motor em paradas curtas, como em semáforos, e dá a partida assim que o pedal do freio é liberado. Tudo para poupar combustível, e a economia não é pequena: carros com start/stop bebem até 5% menos.

Flavio Sakai lembra que muitos desses sistemas são uma resposta ao Inovar-Auto, programa criado pelo governo federal em 2012, que estimula o investimento das montadoras em pesquisa e desenvolvimento, como forma de estimular a competição entre as empresas, e a consequente melhoria dos carros nacionais.

— O Inovar dá incentivos às novas tecnologias, em especial aquelas que visam redução de consumo. Mas o que vai mexer mesmo com a indústria brasileira é a competitividade do mercado. Estão chegando novas montadoras com fábricas nacionais, e as “quatro grandes fabricantes” (Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen), responsáveis hoje por mais de 70% das vendas, já estão revendo seus planos e sua capacidade de produção local.

A ‘guerra eletrônica’ é iminente

A chegada dos novos Ford Ka e Fiat Uno vai obrigar uma mudança generalizada e rápida, que deve afetar todos os compactos nacionais — desde os modelos mais modestos, que custam menos de R$ 30 mil, até os mais caros, com preços superiores a R$ 50 mil. Isso porque a percepção de valor nestes sistemas ficará cada vez mais evidente, segundo o gerente de engenharia da Ford, Klaus Mello.

— O mercado vai se mover naturalmente para acompanhar essas tendências, e ser pioneiro com o novo Ka é muito bacana. São vários dispositivos com diferentes funções, que serão cada vez mais populares. Temos carros que custam atualmente mais que o dobro do Ka e não oferecem os controles de estabilidade e de tração. Quer dizer, queremos que o consumidor perceba isso e passe a exigir a instalação destes recursos.

Sakai lembra que a maior oferta de dispositivos de segurança ativa também beneficiará a economia do País, uma vez que os prejuízos com acidentes de trânsito e com a poluição quase anulam o ganho com a indústria automobilística.

— Se somarmos o quanto o País gasta com a ineficiência, como consumo de combustível, emissões, problemas de saúde e despesas com seguros de vida e de veículos, a conta é salgada. Existe um valor estimado em R$ 300 bilhões, que corresponde a aproximadamente 4% do PIB brasileiro. Quer dizer, se o PIB automotivo representa 5,5% do PIB nacional, a indústria da mobilidade tem um PIB enorme, mas gera um prejuízo gigantesco.

divulgação

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