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Guarda costeira investiga se capitão abandonou balsa que naufragou

17/04/2014 – Atualizado em 17/04/2014

Por: Uol

A Guarda Costeira da Coreia do Sul disse que está investigando se o capitão da balsa que naufragou nesta quarta-feira (16) abandonou a embarcação ao perceber que ela ia afundar. A informação foi divulgada hoje em uma entrevista coletiva.

A balsa Sewol partiu de Incheon na noite de terça-feira com destino à Ilha de Jeju, ponto turístico no país, aonde deveria ter chegado 14 horas depois. Ainda não se sabe por que, mas em uma determinada parte do trajeto, a embarcação parou e começou a inclinar até afundar a 30 metros.

Veículos sul-coreanos de notícias divulgaram que a balsa teria desviado de sua rota, mas isso ainda não foi confirmado oficialmente. Com apenas uma pequena parte de seu casco fora d’água, a embarcação pode ter atingido um obstáculo submerso, sugeriram especialistas à imprensa local.

O capitão Lee Joon Suk pode ter violado regras de conduta ao ter deixado a embarcação antes da remoção dos passageiros, e há possibilidade de acusação por negligência e homicídio acidental.

Com capacidade para transportar cerca de 900 pessoas, a Sewol tinha pouco mais da metade desse número a bordo no momento do acidente. A maioria dos passageiros fazia parte de um grupo de estudantes de ensino médio que estava em um passeio escolar com duração de quatro dias.

Segundo o porta-voz da Guarda Costeira, os números atualizados do acidente são esses: 287 desaparecidos, 179 resgatados e nove mortos. Há dois cidadãos chineses entre as vítimas ainda não localizadas.

A rede norte-americana de TV CNN divulgou o momento em que o capitão Lee se apresenta a um posto da Guarda Costeira, com a cabeça coberta por um capuz, sem deixar muito do rosto à mostra.

“Eu realmente sinto muito e estou profundamente envergonhado. Não sei o que dizer”, disse o capitão a jornalistas no local.

Se confirmado que houve negligência, o naufrágio da Sewol, talvez a pior tragédia marítima da Coreia do Sul, poderá ser comparado ao caso do navio Costa Concordia, que afundou na Itália em janeiro de 2012 e deixou 32 mortos: o capitão Francesco Schettino é acusado de abandonar a embarcação e quis mentir para evitar processos pelas mortes.

Segundo relatos de passageiros da balsa, foi dada a eles a orientação de permanecerem sentados enquanto a embarcação adernava. Muitos acabaram se jogando ao mar, na tentativa de escapar com vida.

Entre os nove mortos confirmados até o momento estão quatro estudantes, um professor e uma integrante da tripulação, segundo informações da agência sul-coreana Yonhap.

Parentes dos desaparecidos estão na ilha de Jindo, para onde os resgatados foram levados, e cobram mais empenho das autoridades.

“Tirem meu filho desse navio! Morto ou vivo”, gritava repetidamente um pai desesperado em direção às equipes de resgate.

As buscas foram retomadas na manhã de hoje, com 171 barcos e 29 aviões. A operação foi bastante dificultada pelas condições climáticas no local. A visibilidade na água é baixa e a correnteza é tão forte que até mesmo mergulhadores experientes não conseguiram chegar às cabines, disse o porta-voz da Guarda Costeira.

Equipamentos como gruas serão usados a partir de amanhã, quando chegarão ao local do naufrágio.

Foto divulgação

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