Categoria pressiona o Senado para votar a MP do Frete, onde representantes no Estado acompanham negociações e não descartam adesão a um movimento nacional
A mobilização de caminhoneiros autônomos em defesa da chamada MP do Frete começou a ganhar força em diferentes regiões do país e já acende o alerta em Mato Grosso do Sul. Embora ainda não exista uma paralisação confirmada no Estado, representantes da categoria afirmam que acompanham o andamento das negociações no Congresso Nacional e não descartam aderir a um movimento nacional, caso a situação evolua.
A principal reivindicação é a votação da Medida Provisória 1.343/2026, que aguarda análise do Senado Federal. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas corre o risco de perder a validade caso não seja apreciado até a próxima quinta-feira, 16.
Segundo o presidente da Associação Frota Brasil, Donner de Souza, neste momento as manifestações estão concentradas principalmente nos portos, com o objetivo de pressionar pelo cumprimento do piso mínimo do frete e pela votação da proposta.
“Por enquanto, os movimentos estão sendo feitos nos portos para reforçar a questão dos valores dos fretes e garantir que o que foi acordado seja cumprido. Aqui em Mato Grosso do Sul ainda não há nenhuma paralisação definida. Vamos acompanhar o desfecho das negociações no Senado”, afirmou em entrevista ao Campo Grande News.
Apesar disso, ele ressalta que o cenário pode mudar rapidamente caso a mobilização nacional aumente. “A partir do momento em que houver uma paralisação nacional, isso pode refletir também no Estado. Caminhoneiros e transportadoras podem avaliar a adesão, mas uma ação isolada não teria efeito”, explicou.
O principal objetivo da categoria é pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para incluir a MP na pauta de votação antes que ela perca a validade.
Entre os principais pontos do projeto estão o endurecimento das punições para empresas que descumprirem o pagamento do piso mínimo do frete, o fortalecimento da fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a anistia de multas aplicadas a caminhoneiros que participaram dos bloqueios de rodovias após as eleições de 2022.
A mobilização já começou no Porto de Santos, em São Paulo, considerado o maior complexo portuário da América Latina. Caminhoneiros iniciaram uma paralisação nesta segunda-feira, 13, interrompendo o fluxo de veículos no terminal. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram filas e a ausência de caminhões acessando o porto.
Caso o movimento ganhe adesão em outros estados, setores ligados ao agronegócio, exportação e transporte de cargas podem sentir impactos na logística e no escoamento da produção, inclusive em Mato Grosso do Sul, um dos principais corredores de transporte do país.


