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Três Lagoas
quinta-feira, 1 de janeiro, 2026

Governo deve conceder parte da Malha Oeste e priorizar trecho entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado

Trecho leste de Mato Grosso do Sul é considerado estratégico para o setor de celulose, onde recuperação total da ferrovia exigiria R$ 35,7 bilhões em investimentos

O Governo Federal estuda conceder apenas parte da Malha Oeste, priorizando o trecho que liga o leste de Mato Grosso do Sul a Três Lagoas, diante do alto custo e da baixa atratividade econômica da concessão integral, que se estende de Corumbá (MS) até Mairinque (SP). A proposta, conforme o Ministério dos Transportes, visa viabilizar investimentos logísticos estratégicos, com foco no escoamento da produção de celulose, setor que tem impulsionado o desenvolvimento da região.

Com 1.973 quilômetros de extensão, a ferrovia está fora de operação há quase 30 anos e apresenta grave deterioração estrutural. O custo estimado para a recuperação total da linha é de R$ 35,7 bilhões, o que afasta o interesse de investidores privados em assumir o trajeto completo.

Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, há grande potencial econômico no trecho que liga Três Lagoas a Aparecida do Taboado, interligado à malha operada pela Rumo Logística, empresa do grupo Cosan.Ali não tem dúvida, por causa da carga de celulose”, afirmou Santoro em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Setor de celulose impulsiona retomada dos trilhos

Grandes indústrias do setor já se mobilizam para aproveitar a reativação ferroviária. A Suzano e a Eldorado Brasil, com unidades instaladas em Três Lagoas, possuem projetos próprios de ramais para facilitar o transporte da produção. Já a Arauco, que constrói uma nova fábrica em Inocência, e a Suzano, com expansão em Ribas do Rio Pardo, também estudam ligações ferroviárias até Aparecida do Taboado, ponto de conexão com a Ferronorte.

Esses investimentos privados podem estimular o interesse pelo leilão parcial da Malha Oeste, previsto para julho de 2026, com publicação do edital em abril. O modelo de concessão por sublotes, ou seja, trechos menores dentro de uma ferrovia maior, já foi aplicado com sucesso em projetos de transmissão de energia, segundo o Ministério.

Desafios e perspectivas

Enquanto o leste sul-mato-grossense atrai atenção pela dinâmica industrial e logística, o trecho entre Campo Grande e Corumbá, que atravessa o Pantanal, é visto como economicamente menos viável. Historicamente usado para transporte de minério e combustíveis, o percurso hoje sofre com abandono e falta de manutenção.

Mesmo assim, a inclusão da Malha Oeste na Política Nacional de Concessões Ferroviárias reacende o debate sobre o papel estratégico da ferrovia no desenvolvimento do Estado. Com cerca de 600 quilômetros dentro de Mato Grosso do Sul, a linha pode retomar sua importância como corredor logístico, consolidando Três Lagoas como polo central dessa nova fase ferroviária.

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