Quatro pessoas foram presas preventivamente nesta segunda-feira (14), em Água Clara, durante a Operação Barattieri, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação investiga um suposto esquema envolvendo recursos públicos destinados à compra de alimentos para a merenda escolar do município.
Entre os presos estão a ex-secretária municipal de Educação Adriana Rosimeire Pastori Fini, as servidoras públicas Ana Carla Benette e Jânia Alfaro Socorro, além do empresário Humberto Marques, proprietário de um mercado na cidade. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão.
Segundo as investigações, servidoras públicas teriam utilizado a estrutura da administração municipal para aumentar os valores das ordens de compra de alimentos. Conforme o Gaeco, parte dos produtos adquiridos teria sido entregue, enquanto os valores restantes seriam utilizados para viabilizar pagamentos indevidos ao grupo investigado.
A apuração teve origem em elementos encontrados durante a Operação Malebolge, realizada anteriormente para investigar suspeitas de fraudes em licitações na Prefeitura de Água Clara. Os quatro presos nesta segunda-feira já haviam sido denunciados no âmbito daquela investigação.
Entre as provas citadas pelo Ministério Público está um vídeo gravado em junho de 2023, no qual a servidora Ana Carla Benette aparece contando R$ 18 mil em dinheiro. Segundo a denúncia, o valor seria relacionado ao pagamento de propina.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul também solicita o pagamento de pelo menos R$ 22 milhões em indenização. Desse total, R$ 11 milhões correspondem ao suposto prejuízo causado aos cofres municipais e outros R$ 11 milhões são referentes a danos materiais coletivos.
Os quatro presos foram encaminhados inicialmente para a delegacia e, segundo as informações divulgadas, seriam levados para Campo Grande. A investigação segue em andamento, e as defesas dos envolvidos ainda não haviam sido localizadas pela reportagem.


