24/12/2014 – Atualizado em 24/12/2014
‘Fiquei apavorada,’ diz mulher que escapou de cheia de rio em MS
Doméstica conta que a mãe foi resgatada da mesma casa dois anos atrás.
Cerca de 26 famílias foram desalojadas devido à cheia do rio Aquidauana.
Por: G1 MS
A cheia do rio Aquidauana, que banha a cidade de mesmo nome, a 131 km de Campo Grande, atingiu cerca de 250 casas e deixou desalojadas 26 famílias, de acordo com a Defesa Civil. Segundo o órgão, no intervalo entre as 10 horas de segunda-feira (22) e as 11 horas desta terça-feira (23), o nível do rio passou de 5,20 metros para 8,68 metros, devido às chuvas na região.
O nível máximo foi registrado às 17h (de MS) desta terça-feira, com a água chegando a 8,84 metros, ou seja, seis metros acima do nível normal. “Por não ter chovido mais, a tendência é que o rio volte a baixar o nível nas próximas horas. Apesar disso o nível da água é considerado de risco”, afirma o coordenador da Defesa Civil, Mario Ravaglia.
As famílias desalojadas foram encaminhadas por equipes do exército e dos bombeiros a uma escola no bairro Guanandi, mesmo bairro onde ficam as casas afetadas.
A doméstica Lindinalva Pedro da Silva, de 47 anos, conta que acionou os bombeiros por volta da meia noite e teve tempo de retirar quase todos os móveis da casa antes de a água invadir a residência.
“Só ficou o guarda-roupa para trás, o resto consegui trazer. Quando vi toda aquela água fiquei apavorada, lembrei quando minha mãe foi resgatada há dois anos por causa da enchente, nessa mesma casa”, lembra Lindinalva. Tendo de enfrentar outra vez a enxurrada, a doméstica pensa em se mudar. “Agora que isso aconteceu, quero financiar uma casa bem longe dali. Você trabalha tanto, sua tanto e perde tudo na enchente”, desabafa.
Outro que pretende deixar a moradia às margens do rio é o artesão Olímpio Domingues de Queiros, de 69 anos. “Estou muito preocupado, sempre que o nível aumenta, eu saio daqui. Quero ver se já tem como me tirarem daqui. Pretendo mudar dessa casa e ir para perto da minha família”, conta.
O refrigerista Edmir Pires, de 60 anos, disse ao G1 que, para suportar a dor de ver a água invadindo a casa em que mora, precisa tomar dois calmantes por dia.
“Estou desesperado. O coração bate mais apertado quando vemos a água subindo. Eu tive um princípio de infarto, e essa situação aqui agrava minha saúde. Para dar conta eu tomo dois calmantes por dia”, disse o refrigerista. Abalado, Pires ainda relatou que mesmo com o risco da água invadir a residência, ele não sairá do local. “Não vou sair daqui, tenho medo de perder minhas coisas”.
Além das famílias desalojadas, os animas domésticos também foram abrigados. Havia cerca de quatro animais na escola municipal acompanhando as famílias.
A gerência de assistencial social da prefeitura de Aquidauana doou alimentos para as famílias. “Fui chamada para ajudar. Fiquei comovida com as famílias, ainda mais agora perto do Natal”, disse a merendeira Alda Flores Leandro. Para o coordenador da Defesa Civil, o pior já passou. “A correria maior já foi, agora as mudanças no rio são bem pequenas. Trouxemos algumas famílias para a escola, mas outras já conseguiram abrigo em casas de parentes”.



