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quinta-feira, 16 de julho, 2026

Família percorre quase 5 mil km para reencontrar parentes e fortalecer raízes no interior do Brasil

Viagem partiu de Água Clara (MS) rumo a uma aldeia no Pará; encontros emocionantes marcaram os 20 dias de estrada

Há duas semanas e meia, Ezequias Pereira de Souza Yudja Juruna, de 38 anos, embarcou em uma jornada especial ao lado dos pais, dona Terezinha (68) e seu Emílio (67). A bordo de um Volkswagen Voyage, eles deixaram Água Clara (MS) com destino final a uma aldeia indígena no interior do Pará, um percurso de quase 5 mil quilômetros, repleto de emoção, reencontros e memórias.

A ideia da viagem era antiga: rever familiares espalhados pelo Brasil e reatar laços que o tempo e a distância haviam adormecido. O trajeto foi feito sem pressa, com paradas em diversas cidades pelo caminho. “Fomos parando na estrada, sem pressa. Eu dirigia só até escurecer”, contou Ezequias.

Logo no início, ainda no Mato Grosso do Sul, a família enfrentou um contratempo: dois pneus estouraram. Mesmo com o susto, seguiram viagem. “A vontade de ver o povo era maior”, disse ele.

Entre os momentos mais marcantes, está o reencontro de dona Terezinha com a irmã, em Uberlândia (MG), após mais de 30 anos. A emoção também esteve presente em Cariri (TO), onde visitaram um tio, e em Eldorado dos Carajás (PA), terra da mãe biológica de Ezequias, com quem ele mantém uma relação afetuosa, mesmo sendo filho adotivo.

A jornada seguiu até São Félix do Xingu (PA), e de lá, ainda percorreram 800 km por estrada até alcançar a aldeia indígena onde vivem seus parentes. “Foi uma viagem longa, mas chegar foi maravilhoso. É lá onde estão nossas raízes”, afirmou.

Além dos reencontros, a viagem também fortaleceu o vínculo entre os três. “Esses dias foram só nossos, de intimidade, de conversa. Foi uma aventura e uma descontração”, disse Ezequias.

Agora, o trio está na divisa do Pará com o Mato Grosso e deve retornar a Água Clara no próximo sábado, encerrando uma viagem inesquecível. “A forma como meus parentes me trataram, o amor da minha avó, da minha mãe biológica… parecia que eu nunca tinha saído de perto deles”, concluiu.

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