Com diagnóstico de dissecção de aorta, paciente de 42 anos depende de transferência urgente para sobreviver
Uma mulher de 42 anos, moradora de Três Lagoas, vive momentos de angústia enquanto aguarda, internada na UTI da Santa Casa de Campo Grande, a transferência urgente para um hospital com condições de realizar uma cirurgia cardíaca de alta complexidade. Diagnosticada com dissecção de aorta tipo A, uma das emergências cardiovasculares mais graves da medicina, a paciente depende do procedimento para sobreviver.
A paciente, Míria Peter Vitalino, começou a sentir dores intensas há alguns dias e procurou atendimento inicialmente na UPA de Três Lagoas, onde houve suspeita de cólica renal. Sem melhora, ela também passou pelo Hospital Auxiliadora, até que, já no Hospital Regional de Três Lagoas, exames de imagem revelaram o diagnóstico correto: rompimento da aorta, a principal artéria do corpo humano.
Diante da gravidade do quadro, Míria foi transferida às pressas para Campo Grande, sendo internada na Santa Casa desde sexta-feira (9). No entanto, conforme boletim médico emitido pelo próprio hospital, a unidade não possui, no momento, os insumos necessários para realizar a cirurgia indicada, considerada de caráter imediato.
Segundo o relatório médico, a paciente necessita de cirurgia de urgência, mas a falta de materiais impede a realização do procedimento na Santa Casa. A equipe médica recomendou a transferência imediata para outro hospital com estrutura adequada, público ou privado, pelo SUS.
Enquanto isso, Míria permanece na UTI, consciente, não entubada, mas com a pressão arterial descontrolada, chegando a níveis considerados perigosos. Médicos alertaram a família que a dissecção de aorta pode evoluir rapidamente para ruptura total, o que pode levar à morte em questão de minutos.
O esposo da paciente, Israel Roberto Vitalino, relata desespero diante da demora na transferência. Segundo ele, a família já buscou a regulação estadual, hospitais como o Hospital Regional de Campo Grande e o Hospital Universitário, além do Ministério Público, mas até o momento não houve liberação de vaga.
“Ela precisa ser operada com urgência. Cada hora que passa aumenta o risco. Não é um caso que pode esperar burocracia”, desabafa o marido.
De acordo com Israel, a família foi informada de que, para acionar formalmente o mecanismo conhecido como “vaga zero”, seria necessário aguardar até 48 horas úteis para a emissão de documentos, prazo considerado incompatível com o estado clínico da paciente.
A situação expõe a fragilidade da rede de saúde diante de casos de alta complexidade e levanta questionamentos sobre a transferência de pacientes para unidades que não possuem condições materiais para o tratamento necessário. A própria Santa Casa reconhece, em documento oficial, a impossibilidade de realizar a cirurgia neste momento.
Especialistas explicam que a dissecção de aorta tipo A é uma emergência absoluta, com taxas elevadas de mortalidade quando não tratada rapidamente. A única alternativa é a cirurgia imediata, o que torna a demora na transferência um fator crítico.
Diante do impasse, a família estuda judicializar o caso para garantir a remoção urgente da paciente para um hospital com condições de realizar o procedimento, inclusive na rede privada, se necessário, com custeio pelo poder público.
Enquanto isso, Míria segue internada, sob monitoramento constante, aguardando que a vaga surja a tempo. A família pede orações, apoio e providências urgentes, temendo que a demora possa ter consequências irreversíveis.
Com a colaboração de Thais Constatino


