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segunda-feira, 9 de fevereiro, 2026

Estudo revela que Brasil registra alta taxa de gravidez na adolescência e expõe desigualdades regionais

Pesquisa da UFPel mostra que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos se torna mãe a cada ano. Fecundidade precoce é maior em áreas mais pobres e revela falhas estruturais no país

Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) aponta que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos no Brasil se torna mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens nessa faixa etária tiveram filhos.

Entre meninas de 10 a 14 anos, foram registrados mais de 49 mil casos de gravidez, considerados, segundo a legislação brasileira, como resultado de estupro de vulnerável.

Taxa brasileira supera a de países com mesma faixa de renda

A taxa nacional de fecundidade entre adolescentes é de 43,6 nascimentos por mil meninas, quase o dobro da média de países de renda média alta (24 por mil), como o próprio Brasil.

O número também é superior ao observado entre os países do BRICS (China, Índia, Rússia e África do Sul), onde a taxa não ultrapassa 16,3 por mil.

Desigualdades regionais acentuam o problema

Os dados mostram grande disparidade entre regiões brasileiras:

  • Região Sul: 35 nascimentos por mil adolescentes
  • Região Norte: 77,1 por mil, mais que o dobro da média nacional

Além disso, a proporção de municípios com taxas comparáveis às de países de baixa renda varia fortemente:

  • Norte: 76% dos municípios
  • Nordeste: 30,5%
  • Centro-Oeste: 32,7%
  • Sul: 9,4%
  • Sudeste: 5,1%

Privação social como causa principal

A pesquisa identificou que os fatores mais associados à alta fecundidade adolescente são:

  • Baixa renda
  • Analfabetismo
  • Falta de acesso à saúde e educação
  • Infraestrutura precária

Segundo o epidemiologista Aluísio Barros, líder do estudo, esses dados evidenciam uma falha sistêmica. “A gravidez na adolescência não é uma escolha, mas o desfecho de um contexto de privação e falta de oportunidades”, afirmou.

SUS e organizações sociais atuam na prevenção

A superintendente-geral da Umane, Thais Junqueira, destacou que o SUS já oferece ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, como:

  • Distribuição gratuita de métodos contraceptivos
  • Programas de educação sexual em escolas
  • Apoio de organizações comunitárias

Ela reforça que, apesar dos esforços, os dados mostram a necessidade de maior articulação entre governo e sociedade civil para enfrentar o problema.

Monitoramento das desigualdades

Os resultados do estudo marcam o lançamento de uma nova página do Observatório de Equidade em Saúde, voltada ao acompanhamento das disparidades em saúde pública no Brasil. A iniciativa é fruto da parceria entre o ICEH/UFPel e a Umane, organização da sociedade civil que apoia projetos na área da saúde.

Com informações Agência Brasil

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