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Esquema de corrupção injetou R$ 3,49 bilhões na Eldorado, afirmam delatores

23/05/2017 16h46

Empresa pertence à família Batista, donos do grupo JBS

Por: Campo Grande News

O esquema de corrupção relevado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, envolve uma das empresas gigantes de Mato Grosso do Sul, a Eldorado Brasil, com unidade em Três Lagoas e produção anual de 1,7 milhão de toneladas de celulose.

Facilidades na aquisição de empréstimos via troca de favores e captações ilegais renderam à Eldorado pelo menos R$ 3,64 bilhões. Entre os políticos favorecidos, estão a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) o senador cassado Delcídio do Amaral e o ex-­presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB).

Conforme matéria publicada pelo Valor Econômico, a partir das delações dos irmãos Batista, a Eldorado, pertencente a holding J&F, da família Batista, nasceu e se fortaleceu sob o esquema de corrupção. A fábrica de Três Lagoas contou com investimento de R$ 6,2 bilhões na primeira fase.

Parte do dinheiro resultou de financiamento de R$ 2 bilhões do BNDES ( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A facilidade da operação teria relação com a doação de R$ 30 milhões para a campanha da ex-presidente Dilma Roussef (PT) a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Outro recurso, de R$ 940 milhões, teria sido captado ilegalmente em 2012. A fonte do dinheiro é o FI-FGTS (Fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), da Caixa Econômica Federal. Joesley afirmou à PGR (Procuradoria­Geral da República) “que ouviu do doleiro Lúcio Funaro, ligado ao ex­presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), que sua empresa não conseguiria financiamento do FI­FGTS se não pagasse propina e que o pedágio equivaleria a algo entre 3% e 3,5% do valor das operações”, afirma a reportagem do Valor. Funaro e Cunha receberam, nesse esquema, R$ 150 milhões da Eldorado.

Joesley também relatou outro crime, que envolve dois acionistas da Eldorado, os fundos de pensão Petros (de funcionários da Petrobras) e Funcef (da Caixa), cujos investimentos são alvo de investigação do MPF (Ministério Público Federal). “Em 2009, quando a companhia atual ainda não existia mas o grupo já tinha um negócio de reflorestamento, Joesley conta que chegou a um acordo com Guilherme Lacerda, então presidente da Funcef, e Wagner Pinheiro, da Petros, para ampliar as atividades da empresa chamada Florestal”, diz a reportagem.

“Desse acerto nasceu o FIP­Florestal, usado como veículo de investimento na Florestal e no qual cada fundo de pensão aportou R$ 275 milhões ­ a J&F e outro sócio, Mário Celso Lopes, entraram com ações da própria Florestal”, acrescenta. Lacerda e Pinheiro receberam, cada um, 1% do valor da operação. Lacerda já divulgou nota negando o recebimento da propina.

Também houve pagamentos indevidos em 2011, depois da fusão da Florestal com a Eldorado Celulose. Por essa transação, o ex­presidente da Petros Luis Carlos Afonso teria levado um apartamento em Nova York avaliado em US$ 1,5 milhão.

Essa operação resultou na estrutura societária atual da Eldorado. A J&F detém 63,59% da Eldorado (participação direta), enquanto o FIP Florestal tem 34,45% e o FIP Olímpia, do presidente da companhia, José Carlos Grubisich, 1,96%. No FIP Florestal, Funcef e Petros têm 24,75% cada, e a J&F, o resto.

Outro delator do grupo, o ex-diretor de relações institucionais da J&F, Ricardo Saud, afirma que Temer, ainda na vice­presidência da República, atuou para facilitar a obtenção de licença para construção do terminal de cargas da Eldorado no Porto de Santos (SP). Segundo Saud, a companhia iniciou em 2015 a reforma do terminal e com apenas um mês de execução, as obras foram embargadas pela Codesp, autarquia que opera o porto paulista. A ajuda foi solicitada a Temer porque, segundo o executivo, era ele quem controlava as nomeações na Codesp.

Delcídio do Amaral também é citado por Ricardo Saud. De acordo com ele, o senador cassado teria recebido “mensalinho” de R$ 500 mil por dez meses para atender a interesses da Eldorado.

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