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Esposa faz doação para marido e ambos ficam sem um dos rins na Santa Casa da Capital

21/12/2013 – Atualizado em 21/12/2013

Santa Casa de Campo Grande confirma que transplantes de rins e coração estão suspensos

Por: MS Record

A Santa Casa de Campo Grande confirma que transplantes de rins e coração estão suspensos. Falta de equipamentos e de transporte adequados estão entre os entraves para as cirurgias. Um casal que fez transplante de rins no hospital virou caso de Justiça, após a esposa fazer uma doação para o marido, complicações deixaram os dois sem um dos rins.

A esperança de uma nova vida estava bem ao lado do dentista de 44 anos, Adolfo Alderetti doente renal. Durante dois anos ele e a esposa, travaram uma batalha para encontrar um doador. Depois de fazer todos os exames: a descoberta. Sua esposa Daniela Alderetti, era compatível. Para eles tinha acabado ali o sofrimento de ficar amarrado a uma máquina de hemodiálise, 3 x ao dia, durante 4 horas, mas a história teve um outro desfecho.

“Nós vamos ter que comemorar duas datas, a data que ele faz aniversário em março e outro no dia 29 de outubro, em 48 horas nossos sonhos de ter uma vida normal novamente com meu esposo e poder viajar com nosso filho acabou”, diz a esposa.

“Eu só fui acordar por voltas das 15h no CTI, e nesse intervalo de tempo meu rim nunca funcionou, não urinei, eu vi as enfermeiras falando quando da certo a bolsa de urina está cheia, então provavelmente o transplante não deu certo”, diz o dentista.

Indignada com o que aconteceu com o esposo, ela diz que foi mandada pra casa com uma receita de dipirona apenas, sem nenhum antibiótico, mesmo depois de ter levado 17 pontos.

“Eu fui mandada para casa só no dipirona com 17 pontos no meu abdômen, o doutor: levanta, toma banho e pode ir embora”, relata a esposa.

Agora a advogada do casal Natalia Borges diz que vai entrar com uma ação na justiça para reparar o que ela chama de erro médico. Nathalia afirma que houveram vários equívocos da equipe cirúrgica.

“Existem árias violações, primeiro não houve uma consulta prévia com o cirurgião, nem com o anestesista, não houve pedido de autorização para acompanhamento de estudantes que inclusive tiraram fotos, sem autorização dos pacientes, então você tudo tratado com muito descaso, não só descaso quanto ao procedimento médico, em sim, como também descaso com a pessoa humana que está ali, naquele momento tão delicado da vida”, diz a advogada.

A presidente da Associação dos Doentes Renais Crônicos e Transplantados, Maura Jorge Souza Trindade, fez transplante de rim há 17 anos na Santa Casa de Campo Grande e conta que naquela época o hospital era muito diferente.

“Tinha mais estrutura para fazer o transplante, hoje não tem”, diz Maura.

Hoje a presidente da associação diz que os transplantes estão parados há pelo menos 2 meses.

“Eu acho que teria que voltar porque é melhor para os pacientes, tem muitos pacientes nas filas esperando, mas também deveria melhorar a estrutura da Santa Casa, paciente viajar daqui para São Paulo para fazer um transplante é complicado, então tendo aqui é bem melhor para os pacientes”, diz Maura.

Ela conta que os pacientes que são encaminhados para a Santa Casa, não querem fazer o procedimento lá. “Muitos estão preocupados, não querem fazer, com resultado que já aconteceram, então estão receosos, então tem alguns que não querem mais fazer o transplante”, diz Maura.

“Quando ele dizia estou indo para hemodiálise eu falava calma, você é um ser humano abençoado, você a mim eu estou aqui, é só marcar e nós vamos fazer a cirurgia e isso vai acabar, agora eu pergunto: o que eu digo para ele? Não tenho mais. O que eu digo para o meu filho? “, finaliza a esposa. (Com colaboração Vânia Galceran, TV MS Record)

Foto: Record MS

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