Com 30% das entregas concluídas, orientação é antecipar envio e redobrar atenção aos dados para evitar a malha fina
Com cerca de 30% das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) já entregues em Mato Grosso do Sul, especialistas reforçam a importância de atenção no preenchimento das informações para evitar pendências junto à Receita Federal do Brasil. A expectativa é de que aproximadamente 650 mil contribuintes prestem contas neste ano no Estado, sendo que mais de 200 mil declarações já foram enviadas.
A recomendação é que o envio seja feito com antecedência, o que reduz riscos de imprevistos e aumenta as chances de restituição nos primeiros lotes. Apesar disso, ainda são comuns dúvidas sobre obrigatoriedade, documentação necessária e preenchimento correto dos campos.
Com o objetivo de orientar a população, a Estácio em Campo Grande promove, nesta quinta-feira, às 19h, a palestra “Descomplicando o Imposto de Renda 2026”, aberta ao público. A iniciativa busca esclarecer as principais exigências e ajudar contribuintes a evitar erros que podem levar à malha fina.
Segundo a docente Alessandra de Almeida Silva, dos cursos de Ciências Contábeis e Administração, a proposta é tornar o processo mais acessível e compreensível, especialmente para quem ainda tem insegurança ao declarar.
Entre os erros mais frequentes, especialistas destacam a declaração incorreta de imóveis. O advogado tributarista Eduardo Rodrigues explica que os bens devem ser informados pelo valor de aquisição, e não pelo preço de mercado atualizado, prática não permitida pela legislação e que pode gerar inconsistências.
Ele também ressalta que gastos com reformas e benfeitorias podem ser incorporados ao valor do imóvel, desde que devidamente comprovados, o que pode reduzir o imposto sobre ganho de capital em uma eventual venda.
Outro ponto de atenção é o cruzamento de dados feito pela Receita Federal, que utiliza informações de cartórios e registros financeiros. Divergências podem aumentar significativamente o risco de retenção na malha fina.
Neste ano, o IRPF traz novidades, como a possibilidade de uso do nome social e a inclusão de um campo opcional de diversidade (raça/cor). Também passa a ser obrigatória a declaração de rendimentos com apostas esportivas e saldos superiores a R$ 5 mil nesse tipo de conta.
Além disso, foi criado um programa de cashback para contribuintes não obrigados a declarar, mas que têm valores a restituir, incentivando o envio mesmo em casos facultativos.
Devem declarar o IRPF em 2026 pessoas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, tiveram rendimentos isentos superiores a R$ 200 mil, realizaram operações na bolsa de valores, obtiveram ganho de capital ou possuíam patrimônio superior a R$ 800 mil até o fim do ano passado.
A Receita também mantém a opção da declaração pré-preenchida para usuários com conta nível Prata ou Ouro no gov.br. Quem optar por esse modelo e escolher restituição via Pix, com chave CPF, terá prioridade no recebimento.
Especialistas recomendam organizar documentos com antecedência, revisar todas as informações antes do envio e guardar comprovantes por pelo menos cinco anos. O atraso na entrega gera multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.
A orientação geral é tratar a declaração como um histórico patrimonial contínuo, garantindo mais segurança e evitando problemas fiscais no futuro.


