Especialista destaca que presença emocional e atenção genuína são essenciais para reduzir conflitos e aumentar a conexão familiar
A dificuldade de diálogo entre pais e filhos tem sido uma das principais queixas das famílias na atualidade. Em meio à rotina acelerada e às múltiplas distrações do dia a dia, muitos adultos acreditam que estão atentos apenas por estarem fisicamente presentes ou por responderem rapidamente às crianças. No entanto, especialistas alertam que a verdadeira conexão depende de algo mais profundo: a escuta genuína.
Segundo a psicóloga Thelma Nascimento, existe uma diferença importante entre ouvir e escutar. Enquanto ouvir é um processo automático captar sons mesmo com a mente ocupada escutar exige presença, atenção e disponibilidade emocional. Crianças e adolescentes percebem quando a atenção dos adultos está dividida, o que pode gerar frustração, irritação ou até silêncio como forma de expressão.
A especialista explica que, do ponto de vista do desenvolvimento emocional, a escuta ativa tem impacto direto na formação do cérebro infantil, especialmente nas áreas relacionadas à autorregulação. Como muitas crianças ainda não conseguem explicar claramente o que sentem, elas demonstram emoções por meio de comportamentos. Quando encontram pressa ou impaciência, podem aprender a se calar ou intensificar reações para serem notadas.
A prática da escuta verdadeira envolve atitudes simples, como interromper outras atividades, olhar nos olhos, permitir que a criança conclua o raciocínio e evitar julgamentos imediatos. Mais do que resolver problemas ou corrigir comportamentos, a presença transmite segurança emocional e fortalece o vínculo familiar.
O processo também pode provocar reflexões nos próprios adultos, que muitas vezes carregam experiências de uma infância em que sentimentos não eram priorizados. Ao acolher os filhos, pais e responsáveis entram em contato com suas próprias necessidades emocionais.
Especialistas orientam que pequenas mudanças de postura como deixar o celular de lado, respirar e prestar atenção até o fim da conversa podem transformar a qualidade do relacionamento. A mensagem transmitida pela presença, pelo tom de voz e pelo tempo dedicado tende a permanecer na memória das crianças por toda a vida, contribuindo para relações mais saudáveis e duradouras.


