Bióloga do CCZ alerta para aumento de acidentes, explica causas da proliferação e orienta sobre prevenção e controle nas áreas urbanas de Três Lagoas
O aumento da presença de escorpiões e caramujos nas áreas urbanas tem preocupado moradores de Três Lagoas, especialmente durante períodos de calor e chuva. O tema foi destaque no programa Hora da Notícia, da Rádio Caçula FM 96,9, nesta quarta-feira (21), em entrevista com a bióloga Georgia Medeiros, coordenadora do setor de Entomologia do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
Segundo a especialista, as condições climáticas atuais — com calor e umidade — favorecem diretamente a reprodução dos escorpiões. “Esse é um período propício para o aumento populacional. O escorpião se reproduz rapidamente e, em muitos casos, nem precisa do macho, podendo gerar cerca de 30 filhotes por reprodução”, explicou.
Além do clima, fatores urbanos contribuem para a infestação, como acúmulo de lixo, entulho, restos de material de construção e presença de baratas, principal fonte de alimento do escorpião. “Se o animal encontra abrigo, alimento e água, ele se instala e forma colônias dentro ou ao redor das residências”, alertou Georgia.
Medidas de prevenção
A bióloga reforçou que a principal forma de prevenção é eliminar as condições favoráveis à presença do escorpião. Entre as orientações estão manter quintais limpos, não deixar materiais de construção encostados no chão ou nas paredes, vedar ralos e pias, usar telas nos ralos, afastar camas das paredes e sempre verificar roupas e calçados antes do uso.
Georgia também fez um alerta importante sobre o uso de inseticidas. “A borrifação não é indicada, porque o escorpião só morre se o produto atingir diretamente o corpo dele. Caso contrário, o inseticida pode deixá-lo mais agressivo e fazê-lo entrar na residência”, explicou. O controle químico deve ser direcionado às baratas e cupins, que servem de alimento para o escorpião.
Riscos à saúde
Os acidentes com escorpiões representam maior risco para crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com problemas cardíacos, podendo levar a óbito. Em caso de picada, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, lavar o local com água e sabão, manter a pessoa em repouso e não utilizar receitas caseiras.
“Se possível, o escorpião pode ser levado em um frasco para identificação, mas com muito cuidado, pois mesmo morto o aguilhão ainda pode inocular veneno”, destacou.
Caramujo africano também preocupa
Outro problema crescente é a proliferação do caramujo africano, considerado uma praga urbana e um risco à saúde pública. De acordo com Georgia, cada caramujo pode colocar até 500 ovos, que ficam no solo e eclodem com a umidade da chuva. “Por isso parece que eles brotam da terra”, explicou.
O controle recomendado é exclusivamente mecânico, por meio da catação manual com luvas ou sacolas plásticas. Os caramujos devem ser colocados em uma sacola com sal, que provoca a morte por osmose. “Não se deve jogar sal no chão, nem quebrar a casca, pois os ovos podem sobreviver e se espalhar”, alertou.
O consumo do caramujo africano é terminantemente contraindicado, já que ele pode ser hospedeiro de vermes causadores de doenças graves, como meningite e infecções intestinais.
Orientação à população
O CCZ disponibiliza canais de atendimento para orientação e apoio à população. Para casos envolvendo escorpiões, o contato é pelo telefone (67) 99251-1668. Já para orientações sobre caramujos, o setor de Entomologia atende pelo (67) 99207-7462.
“Informação e prevenção salvam vidas. A população precisa entender que esses animais só permanecem onde encontram condições favoráveis. Eliminando o problema na origem, reduzimos os riscos”, concluiu Georgia Medeiros.


