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sexta-feira, 24 de setembro, 2021

Energia solar gerada no Estado daria para abastecer Dourados e Corumbá

A energia solar gerada em Mato Grosso do Sul daria conta de abastecer os municípios de Dourados e Corumbá juntos. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os painéis fotovoltaicos existentes no Estado têm potência instalada de 218,5 megawatts (MW), com 19.954 geradores.  

Com média de 200 MW, de acordo com a Energisa, o montante corresponde ao consumo mensal de Dourados e de Corumbá, a segunda e a quarta cidades com mais habitantes no Estado. Na prática, porém, cada sistema é individual e fornece eletricidade diretamente para a casa ou a empresa em que está montado.  

Dados da Aneel apontam que Mato Grosso do Sul dobrou a potência instalada em um ano. Em agosto de 2020, a geração distribuída somava 102 megawatts de potência instalada, já em agosto deste ano o Estado ampliou para 218,5 MW – aumento de 114%.

Na geração distribuída, a energia que não é consumida no momento em que foi gerada é enviada automaticamente para a rede, gerando créditos que podem ser usados para descontos na conta de luz dos donos e de outros imóveis à escolha deles.

Esse sistema também torna possível colocar as placas solares em áreas longe dos imóveis, reduzindo os valores mensais seguindo essa mesma lógica. De todo modo, esses 218 MW colocam Mato Grosso do Sul no 11º lugar entre as unidades da Federação que mais geram energia solar no País.

O engenheiro eletricista Rafael Ferreira de Jesus acredita que esse número deve aumentar dentro do período de um ano graças ao anúncio de aumento na conta de energia, motivado pela crise hídrica. “Estamos tendo uma grande procura, a demanda está aumentando”, disse ao Correio do Estado.

PROJETO

Além do peso da sobretaxa no bolso, outro fator que também tem ajudado nessa “corrida” pela energia mais barata e sustentável é o anúncio de que o projeto de lei que promete taxar a geração de energia solar isentará da cobrança quem fizer a instalação em até um ano após a publicação do texto.  

No mês passado, a proposta, tratada como marco regulatório para a geração distribuída de energia renovável – Projeto de Lei (PL) nº 5.829/2019 –, foi aprovada na Câmara dos Deputados. 

Segundo o texto aprovado, consumidores que já tem sistema instalado e aqueles que solicitarem acesso à rede das distribuidoras até 12 meses após a publicação da nova legislação também serão beneficiados com a isenção de encargos e de taxas até 2045. 

Já para os novos consumidores, o repasse dos encargos começa em 15% em 2023 e assim gradativamente até atingir 100% em 2029. O texto ainda precisa ser aprovado no Senado e depois receber sanção presidencial.

Pensando no período de isenção, a dona de casa Maria Tereza Almeida já está levantando os preços para estudar a viabilidade da energia solar na chácara da família. 

“Não é somente o aumento da bandeira, mas todos os reajustes que ano após ano vão deixando a conta de luz mais cara. Nós só vemos aumento atrás de aumento. A energia é uma forma de tentar fugir de todas essas variações”, pontua.  

A conta mais recente, segundo ela, registrou consumo de 363 quilowatts-hora (kWh), e o valor cobrado foi de R$ 423. Um sistema capaz de produzir 430 kWh por mês pode ser parcelado em até 120 vezes de R$ 274. Além disso, em alguns casos é possível começar a pagar somente em 180 dias.  

Como o sistema ainda é ligado na rede, o usuário continua pagando a disponibilidade à concessionária e a tarifa de iluminação pública, que, segundo Rafael de Jesus, custaria em torno de R$ 80. Isso equivale a R$ 354, valor que já é mais barato do que a família gasta.

Como o sistema vai gerar créditos por conta do excedente, Tereza pode combinar com algum membro da família para ceder esse “desconto” na conta de luz e dividir a parcela das placas, economizando ainda mais. 

Quando o valor for completamente quitado, restarão apenas as cobranças mínimas, elevando a economia a outro patamar. “A princípio, até onde estamos estudando, compensa, mas ainda vamos olhar os preços e conversar entre nós para saber se realmente vamos efetivar a instalação”, completa Maria.  

Energia solar gerada no Estado daria para abastecer Dourados e Corumbá
Energia solar gerada no Estado daria para abastecer Dourados e Corumbá – Álvaro Rezende

MAIS CARO  

Em decorrência da crise hídrica que o Brasil está enfrentando, e consequentemente do acionamento das usinas térmicas, desde junho a Aneel manteve a bandeira vermelha patamar 2. A partir de julho, a cobrança no patamar mais elevado passou de R$ 6,24 a cada 100 kWh para R$ 9,49.  

Essa elevação acontece porque os reservatórios das hidrelétricas estão baixos e não dão conta de gerar toda a energia que o País precisa. Dessa forma, o governo precisa acionar as termelétricas para não deixar ninguém no escuro, só que esse tipo de geração é mais caro.

Quanto maior a necessidade do apoio da energia térmica, maior é a bandeira. Ocorre que a situação chegou a um ponto tão crítico que especialistas dizem que, em um futuro próximo, nem esse “plano B” vai ser suficiente para alimentar todas as residências. Dessa forma, o governo federal criou uma bandeira especial para subsidiar essa crise.  

Denominada de escassez hídrica, a cobrança começou a valer em setembro e tem vigência até 30 de abril de 2022. A partir deste mês, o valor da taxa adicional cobrada nas contas de luz passa de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) para R$ 14,20.  

Isso quer dizer que, na prática, o valor ficará ainda mais caro, já que, além dos impostos federais (PIS/Cofins), incidem ainda o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e a Contribuição para o Custeio de Serviços de Iluminação Pública (Cosip) do município. 

A conta de Maria Tereza, por exemplo, se aproximaria dos R$ 500. “É por isso que temos pressa em analisar e solicitar a instalação das placas”, afirma a dona de casa.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Ronaldo Koloszuk, é mais barato para o governo incentivar a energia solar, seja das grandes usinas contratadas em leilão ou pela geração própria em telhados e pequenos terrenos, do que pedir para a população economizar energia.  

“As usinas solares de grande porte geram eletricidade a preços até 10 vezes menores do que as termelétricas fósseis emergenciais ou a energia elétrica importada de países vizinhos atualmente, duas das principais responsáveis pelo aumento tarifário sobre os consumidores”, aponta.

“Graças à versatilidade e à agilidade da tecnologia solar, basta um dia de instalação para transformar uma residência ou empresa em uma pequena usina geradora de eletricidade limpa, renovável e acessível”, acrescenta Koloszuk.

“Já para uma usina solar de grande porte, são menos de 18 meses desde o leilão até o início da geração de energia elétrica. Assim, a energia solar é reconhecidamente campeã na rapidez de novas usinas de geração”, completou.

Informações do site Correio do Estado

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