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sexta-feira, 8 de maio, 2026

É fácil ser feliz no facebook

22/11/2013 – Atualizado em 22/11/2013

Por: Maria Rita Lemos

Tomando um café entre amigas, falávamos sobre o universo virtual, quando uma delas disparou essa pérola: “é tão fácil ser feliz no facebook… difícil é na vida real!”

A observação me fez parar para pensar, e, daí para escrever é, quase sempre, ato contínuo, então ali nasceu minha matéria para este domingo. Será que podemos chamar de amigos e amigas todas as pessoas?, Aparentemente, todas são felizes, realizadas, plenas de saúde e têm uma luz interior que em lugar algum pode ser encontrada. Têm solução para tudo, palavras de conforto e estímulo para qualquer tipo de problema… será isso realidade, ou um “Shangri lá” que nos dá uma falsa sensação de vivermos num país onde reina o prozac virtual?

No país chamado facebook podemos ser quem quisermos: brancos, negros, homens ou mulheres; podemos ser revolucionários ou acomodados, defender causas possíveis ou impossíveis, enfim, tudo é possível ao cidadão feicibuquiano. Não há uma pessoa, sequer, que seja ou esteja infeliz nesse território. Quando alguém se arrisca a mostrar um ângulo mais nostálgico, ou mesmo a declarar um luto , real ou não, há uma multidão de “amigos” disposta a consolar e mostrar que não é necessário nem desejável estar ou ser triste, não cabe gente assim nesse território. Aliás, tristezas e realidades nem tão festivas assim chega a incomodar ali, onde tudo são flores…

Então, mostra-se, na terra do Facebook, apenas o que se quer que seja visto. Quanto aos amigos e amigas, você tem em mãos o controle total sobre tê-los ou dispensá-los, se não forem tão divertidos ou se não corresponderem ao que se espera. Inclusive, nem é preciso qualquer tipo de esclarecimento, explicação ou despedida, basta clicar em “desfazer amizade” e – pluft – por um passe de magia, aquele amigo ou amiga não mais existe em seu céu feicebuquiano. Simples assim. Não há necessidade de enfrentar situações desagradáveis, resolver mal entendidos, sofrer por despedidas ou algo assim. Basta clicar no local certo.

As pessoas, ou melhor, os “amigos e amigas” são sempre ótimos, simplesmente porque temos esse poder de deletar as que não o são. Seria excelente um mundo assim, se não fosse perigoso e irreal. O alerta vem de especialistas em comportamento que têm se aprofundado em estudos sobre os relacionamentos virtuais, e que apontam para o cuidado que se deve ter para não se desligar totalmente da realidade, não se afundar de cabeça na virtualidade. Principalmente os adolescentes, que são o maior público do mundo virtual e especialmente do Facebook, podem ser também as vítimas desse mundo de faz de conta, onde tudo é possível, inclusive sermos quem não somos e podermos fazer e comprar tudo, inclusive amigos. Como podemos, também jogar fora, descartar pessoas por um simples toque. O problema é que a pessoa, fascinada pelo facebook e vivendo mais no mundo virtual que no real, corre o risco de não saber mais como enfrentar as relações de sua vida diária, os conflitos a que todos nós somos submetidos.

O cidadão feicibuquiano, aquele que acorda e dorme, passando horas na frente de seu laptop, pode desligar-se tanto da realidade que não se importa com as pessoas de carne e osso que o rodeiam, e que com certeza sentem sua falta, preocupam-se com ele e sofrem com seu distanciamento. Aliás, nessa mesma conversa com amigas e colegas, tomando um café real com gente muito querida, uma de nós comentou que sua filha adolescente e as amigas estavam em sua casa, dia desses, em profundo silêncio: cada uma com um laptop no colo, comunicando-se uma com a outra, e com outras amigas e amigos… sem qualquer contato real, a não ser o compartilhamento do espaço físico! É o mundo virtual… até onde podemos chegar, sem nos alienarmos totalmente, sem nos mudarmos para o país mágico do Facebook, onde tudo é possível e todo mundo é feliz?

Enfim, e já concluindo, tudo é bom, desde que não haja excesso. Usar o computador para comunicar-se com os outros é bom. Esconder-se atrás de uma falsa identidade não é bom. Atualizar-se, fazer novas amizades é ótimo. Deixar de encontrar-se com amigos reais ou desistir de um churrasco com amigos ou amigas para ficar atrás do computador não só não é bom, como pode ser sinal de alerta.

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