30/06/2017 19h31
Por: Silvio Domingos
O empresário Ademir Celis Gonçalves, que reivindica uma nova área de 77 mil m² – equivalente a cerca de oito quarteirões -, no Distrito Industrial para sua empresa Silotrês Indústria e Comércio de Artefatos de Ferro LTDA, prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (30) à Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário, que investiga possível favorecimento da administração aos seus negócios.
Apesar do Projeto de Lei Nº 61 que autoriza o Poder Executivo a ceder em comodato, para posterior doação, área à empresa Silotrês ter sido retirado da Câmara pelo prefeito, antes mesmo de entrar na pauta de votação, a Comissão decidiu continuar as investigações atendendo uma orientação do promotor Fernando Lanza, do Ministério Público Estadual, sob pena de omissão. O Ministério Público também abriu um processo administrativo para apurar o caso.
A comissão tem como presidente o vereador Adriano Cezar Rodrigues (Sargento Rodrigues – PSC), relator Davis Martinelli Leal dos Santos (PROS) e o membro Wellington Ricardo de Jesus (Cascão-PDT). “Nosso objetivo é esclarecer se houve ou não favorecimento para que não haja dúvida sobre essa possível doação”, reitera o presidente sargento Rodrigues.
Durante o depoimento, o empresário passou por uma sabatina de 53 perguntas formuladas pela Comissão.
O empresário negou qualquer tipo de favorecimento a seu respeito pelo prefeito Ângelo Guerreiro ou do secretário de Desenvolvimento Econômico do Município, Antonio Luiz Teixeira Empke Júnior (o Tonhão). Eu moro em Três Lagoas há 35 anos e conheço eles porque são pessoas públicas”, disse. Ele disse que não tem nem mesmo amizade com o prefeito ou o secretário. “Eu moro em Três Lagoas há 35 dias e conheço eles porque são pessoas públicas”, disse.
Os benefícios
Por outro lado, trouxe detalhes de benevolências que recebeu de prefeitos anteriores. Em 2004, Ademir já havia sido beneficiado com uma área de 30 mil m², depois ampliada por um TAC- Termo de Ajuste de Conduta, para 47 mil m² em 2010, no governo de Márcia Moura. Essa área foi devolvida para o município, porque que a empresa nunca entrou em funcionamento, muito menos gerou empregos.
Ademir afirma que não conseguiu atender as exigências, porque teve problemas com o atraso no licenciamento ambiental e na estrutura de dois galpões que em partes caiu e a outra ficou comprometida, depois de um temporal, por não atender os requisitos técnicos de segurança. O caso das estruturas está sob judice.
Ademir foi orientado pela Prefeita Márcia Moura à procurar o Ministério Público e fazer o TAC e depois devolver as áreas adquiridas para escapar da multa pelo não cumprimento dos requisitos legais. “Procurei ela 20 dias antes de vencer o prazo e ela me disse que eu se devolvesse ao município não teria problemas”.
Estima que sua empresa deve mais de R$ 5 milhões em multa, mais as penalidades diárias em UFERMS (Unidade Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul), porque não teria cumprido as exigências.
Outras áreas
No depoimento, Ademir também falou da área que tem no Distrito Industrial 1, onde funciona hoje a sua empresa Triaço Comércio Industria e Artefato de Ferro, na entrada da cidade.
Segundo ele, essa área tinha sido doada pelo município para grupo de 40 empresários para se montar uma fábrica de móveis. “Mas essa empresa acabou tendo problema com sócios – eram 40 sócios na época – e eu comprei ela a vista com ciência e autorização ex-prefeito Miguel Tabox e o presidente da Câmara, Carlos Zuchi, que perguntaram apenas se eu iria concluir o projeto”, detalhou Ademir.
O empresário também mencionou um outro imóvel de sua propriedade na rotatória da entrada Vila Piloto, onde “funciona” a Triaço Pré-Moldados. Ele disse que área também era do município, foi repassado e uma empresa e agora ele a comprou por meio de uma escritura pública, mas que por um “lapso”, ainda não registrou no cartório, mas que o processo está em andamento.
**Novo negócio **
Como citou na audiência, Ademir diz que sempre teve um espírito empreendedor e que precisa de uma área ainda maior para fazer um investimento de R$ 40,5 milhões, que pode gerar de 155 a 300 empregos.
Para a construção da primeira etapa ele contará com R$ 16 milhões em recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO) do Banco do Brasil. O detalhe é que Ademir só tem uma pré-aprovação verbal de um gerente da agência, sem nenhum documento.
Mas justifica: “só vou receber o documento, quando tiver com a posse da nova área. Preciso dela para liberação dos recursos”, disse.
Área previlegiada
A área de 77 mil m² que o empresário pretende adquirir é uma junção da que ele devolveu para a Prefeitura e mais uma outra ao lado, que inclusive está toda cercada e preparada para construção.
O empresário disse que ele investiu no fechamento de toda área R$ 36 mil com material e mão de obra e tinha parcelado esse valor para o antigo dono a empresa Central Plast Tanques para Caminhões Ltda, em 12 vezes, mas ele não conseguiu pagar.
No ano passado, segundo Ademir, encontrou com o dono da Central Plast e recebeu a informação que ele iria devolver aquela área que ficava ao lado da sua. Por isso, protocolou o pedido na Prefeitura, incluindo a sua de 47 mil m², mais os 23 mil m², da Central Plast.
O seu pedido foi protocolado em abril, antes mesmo da área ter retornado para o município, em maio deste ano. Questionado pelos vereadores, Ademir disse que não tinha conhecimento e ficou sabendo da devolução da área da Central Plast pelo o então proprietário, no ano passado.
“Eu cheguei a procurar a prefeitura no ano passado, mas disseram que por ser ano eleitoral estava suspensa a doação de áreas e nos primeiros dois meses deste ano recebeu a informação que estavam arrumando a casa. Então esperei passar esses períodos e protocolei o pedido”.
Ele perdeu todo o investimento feito com a devolução da sua área para o município, mas garante que tem condições, inclusive financeira para abraçar um projeto ainda maior, porque vai trabalhar com várias linhas de produção. “Eu tenho um espírito empreendedor, está no sangue”, reforça.
Próximo a ser ouvido
Na segunda-feira (3) está previsto o depoimento do empresário secretário de Desenvolvimento Econômico do Município, Antonio Luiz Teixeira Empke Júnior (o Tonhão). “Vamos ouvir também outras pessoas e se preciso for vamos chamar até o prefeito”, afirma o relator Davis Martinelli.





