Sinal de Frank voltou a repercutir após morte de influenciador, mas cardiologista reforça que avaliação médica completa é essencial para medir risco cardiovascular
A presença de uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank, voltou a ganhar repercussão após a morte do influenciador Henrique Maderite, vítima de infarto. O tema reacendeu discussões sobre possíveis sinais físicos associados ao risco de doenças cardíacas, mas especialistas alertam que o indicativo não é confiável para prever problemas cardiovasculares.
Descrito na década de 1970 por um pneumologista norte-americano, o sinal corresponde a uma prega no lóbulo da orelha e foi inicialmente relacionado à doença coronariana.
Condição caracterizada pela obstrução das artérias que irrigam o coração. No entanto, segundo o cardiologista Delcio Gonçalves da Silva Junior, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, é preciso cautela na interpretação.
De acordo com o especialista, estudos mais recentes indicam que até pode existir alguma associação entre o sinal e doenças cardiovasculares, mas a capacidade de identificar com segurança pessoas com risco elevado é considerada baixa. Ele explica que muitos pacientes com problemas graves nas coronárias não apresentam a dobra, enquanto grande parte das pessoas que possuem o sinal não desenvolverá eventos cardíacos.
O cardiologista ressalta que a identificação do risco cardiovascular depende de uma avaliação médica ampla, que inclui histórico familiar, idade, sintomas, hábitos de vida e aplicação de escores clínicos de estratificação. Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, angiotomografia coronária e ultrassonografias vasculares contribuem para maior precisão na análise.
Além disso, alguns sinais clínicos têm maior relevância, como o halo corneano e depósitos de gordura na pele e nos tendões, que podem indicar hipercolesterolemia familiar, condição genética associada ao risco elevado de doença coronária precoce.
Segundo o médico, durante as consultas é feita a estratificação individual de risco, permitindo estimar a probabilidade de eventos cardíacos futuros e definir estratégias de prevenção, que podem incluir medicamentos e mudanças no estilo de vida.
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, muitas vezes por eventos súbitos. Por isso, especialistas reforçam que mais importante do que observar sinais isolados é manter acompanhamento médico regular e investir em hábitos saudáveis para prevenção.


