Marisa Oliveira falou sobre o acolhimento, capacitação profissional, desafios financeiros e os planos de expansão da casa
A diretora da Casa da Mulher Três-Lagoense, Marisa Oliveira, participou na manhã desta segunda-feira, 23, do Café da Manhã, da Rádio Caçula, e falou sobre a trajetória, os desafios e os projetos da instituição, que completa quatro anos de atuação em abril.
Durante a entrevista, Marisa relembrou como surgiu a Casa da Mulher, em 2021, em meio à pandemia. Após enfrentar complicações da Covid-19 e ficar temporariamente debilitada, ela decidiu transformar sua própria história de superação em apoio a outras mulheres.
“Eu fui vítima de violência doméstica durante 13 anos. Quando fui procurada por uma mulher em situação extrema, aquilo me sensibilizou profundamente. Eu entendi que precisava fazer algo”, relatou.
Desde então, a Casa da Mulher Três-Lagoense tem atuado no acolhimento de mulheres em situação de violência e também em diferentes contextos de vulnerabilidade social. Atualmente, cerca de 50 mulheres são atendidas mensalmente.

A instituição conta com psicóloga, psicoterapeutas, advogadas e assistência social, além de investir fortemente na capacitação profissional. Cursos gratuitos de manicure, mídias sociais e fotografia para vendas estão entre as iniciativas recentes.
Um dos próximos encontros será realizado no SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas), com orientação para mulheres que desejam aprender a divulgar e vender produtos nas redes sociais. Já nos dias 2 e 3 de março, acontece uma oficina de manicure, com direito a kit completo para participantes que concluírem o curso sem faltas.
Segundo Marisa, o objetivo é que cada mulher saia da Casa preparada para recomeçar. “A gente quer que ela volte a enxergar que é capaz, que não está sozinha. Se durante o ano eu conseguir transformar a vida de uma pessoa, já vale a pena”, afirmou.
Mesmo com o impacto social reconhecido, a Casa enfrenta dificuldades financeiras. O custo mensal gira em torno de R$ 2.500, incluindo aluguel, água e luz. A instituição é uma ONG legalizada e se mantém por meio de doações, venda de produtos artesanais e participação em projetos como o troco solidário da Havan.

Para reforçar a credibilidade, um novo site será lançado nos próximos dias com portal da transparência, prestação de contas assinada por contador e atas do conselho fiscal. “Se você doa um real, eu quero que saiba exatamente onde ele foi aplicado. Transparência é obrigação”, destacou.
Além das doações via PIX (CNPJ da instituição), a população pode contribuir adquirindo produtos da loja solidária da Casa, como bolsas artesanais, panos de prato, puxa-sacos e acessórios. A sede está localizada na rua Coronel João Gonçalves de Oliveira, 737, com atendimento de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h.
Ao final da entrevista, Marisa reforçou o pedido de apoio da comunidade e do empresariado local. “Violência e vulnerabilidade não são brincadeira. Nós abrimos essa casa para levar as coisas a sério. Toda ajuda é bem-vinda.”


