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terça-feira, 25 de agosto, 2026

Dengue faz mais duas vítimas em Mato Grosso do Sul

Estado chega a 20 mil casos, demora no início de campanhas de prevenção pode ter agravado epidemia, diz especialista.

CORREIO DO ESTADO – Em novo boletim, divulgado na última sexta (05), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou mais dois óbitos por dengue em Mato Grosso do Sul. As vítimas são idosos, de 69 e 90 anos, que residiam nos municípios de Aquidauana e Naviraí.

Nos primeiros quatro meses deste ano, o Estado já soma 19 óbitos por dengue. Ao todo, 20.160 casos da doença já foram confirmados, número que se aproxima do total registrado em todo o ano de 2022 (21.328), e já supera o ano de 2021 (8.027).

Os óbitos deste ano foram registrados nos municípios de Três Lagoas (6), Aquidauana (2), Campo Grande (2), Dourados (2), Amambai (1), Brasilândia (1), Guia Lopes da Laguna (1), Ivinhema (1), Laguna Carapã (1), Naviraí (1) e Ribas do Rio Pardo (1). 

Se analisarmos, o número de óbitos nestes primeiros quatro meses já equivale a 79% dos óbitos de 2022, ano em que 24 pessoas morreram por dengue. Se compararmos com 2021, ano em que 14 morreram, o número de mortes já é 35,7% maior. 

Em Mato Grosso do Sul, as campanhas de conscientização contra a dengue só foram lançadas em 27 de janeiro. No Brasil apenas na última semana, mais precisamente no dia 4 de maio, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Brasil unido contra a dengue, Zika e chikungunya”.

A demora para o início das campanhas de prevenção foi um dos fatores que atrapalhou no combate da doença, como explica a infectologista Dra. Mariana Croda. O início da campanha foi tarde, considerando que muitos estados já viveram um período de alta incidência da doença e considerando a sazonalidade“, explicou.

A dengue apresenta um comportamento sazonal em todo o país, ocorrendo principalmente entre os meses de outubro a maio. Dessa forma, teoricamente, deveria ser ainda mais fácil de monitorar indicadores e detectar a vulnerabilidade para ocorrência da doença. O recomendado seria que as autoridades de saúde estivessem realizando campanhas e combatendo os focos do Aedes aegypti desde o início da sazonalidade, entre os meses de outubro e novembro.

No entanto, a campanha estadual só teve início no fim de janeiro, e a nacional no início de maio. Segundo a infectologista, a campanha só não começou tarde se formos usar como base a série histórica de 2022, ano em que o “boom” da doença aconteceu no mês de maio.

Agora, para “correr atrás do prejuízo“, o ideal é que o Estado e os municípios se dediquem a combater o mosquito que, além da dengue, é o vetor da Zika e da chikungunya, para controlar o aumento no número de infectados.

O controle do vetor, o mosquito, segue sendo a medida mais eficaz. Todavia, ela requer um esforço  conjunto como urbanização,  esgoto, saneamento mas também medidas individuais de monitoramento de criadouros. Por isso é tão difícil controlar“, afirmou a infectologista.

Além disso, Croda reforça que neste momento, onde já se estabeleceu um grande número de casos, é importante adotar medidas para reduzir a mortalidade, como o acesso a saúde e exames.

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