08/12/2014 – Atualizado em 08/12/2014
Por: G1.com.br
O advogado de Antônio Nardoni, avô da menina Isabella e citado em novo depoimento do caso da morte da criança, afirmou que a acusação contra seu cliente “não tem lógica”. Uma funcionária do presídio onde Anna Carolina Jatobá está presa pelo homicídio afirma que o avô de Isabella teria aconselhado seu filho, Alexandre Nardoni, e a nora a forjarem um acidente no dia da morte da neta. O novo depoimento foi apresentado com exclusividade pelo Fantástico de domingo.
Segundo os promotores do caso, a menina foi asfixiada em 29 de março de 2008 pela madrasta e depois jogada pela janela do 6º andar pelo pai, Alexandre Nardoni. O casal vivia em um prédio na Zona Norte de São Paulo. Dois anos depois, Anna Jatobá foi condenada a 26 anos de cadeia e Alexandre, a 31 anos de prisão. Os dois continuam em presídios de Tremembé, no interior de São Paulo.
“Achei super confuso, totalmente sem nexo. Uma pessoa que não se identifica, que seis anos depois aparece para a mídia dizendo que naquela época teria ouvido que a Anna teria falado alguma coisa. Não tem lógica nenhuma”, disse Roberto Podval ao G1 nesta segunda-feira (8).
Ele disse que ainda não teve acesso às informações contidas no depoimento da funcionária, mas que vai tomar medidas contra ela.
“Nós precisamos entender o que que é isso, o que ela falou no depoimento. Vou ter acesso às informações primeiro e só depois vou ver o que fazer em relação a essa pessoa que o acusou”, completou. Podval disse ainda que se encontraria com seu cliente nesta segunda para conversar sobre o assunto.
Novo depoimento
Uma mulher que trabalha no sistema penitenciário de São Paulo declarou ao Ministério Público que Antônio Nardoni pode ter participação na morte da menina de 5 anos, informou o Fantástico neste domingo (7). Ela diz ter ouvido a revelação dentro da prisão onde Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, cumpre pena pelo assassinato. O avô nega qualquer envolvimento no crime: “Nunca faria isso”.
A funcionária revelou que Anna Jatobá assumiu, em conversa dentro do presídio em 2008, ter batido na menina e contou que o marido, Alexandre, jogou a própria filha pela janela. “Foram os primeiros dias dela naquela unidade. Ela tinha muito medo do convívio com as outras presas”, contou.
Do lado de fora da cadeia, a madrasta sempre negou participação no assassinato. Em entrevista ao Fantástico no ano do crime, ela jurou inocência. “Somos totalmente inocentes. Eu nunca levantei um dedo. Nunca falei um nada. Nunca nem gritei com ela”, disse na época.
A funcionária contou que Anna Carolina também citou, dentro do presídio, o envolvimento do pai de Alexandre no caso. “Ela falou que o sogro mandou, orientou os dois a simular um acidente. Eu ouvi da boca dela, olho no olho”, disse a mulher, que prefere não se identificar.
E deu outros detalhes do dia do crime, segundo versão da testemunha. “Eles foram no supermercado, fizeram uma compra com as crianças. Não levaram a compra para casa. O cartão não passou, deu algum problema. Aí, estavam nervosos”, disse.
De acordo com a funcionária do sistema carcerário, Anna Jatobá contou que bateu com violência na enteada dentro do carro da família. “Falou que ela bateu na menina porque a menina não parava de encher o saco. Que a menina estava enchendo muito o saco. Que não era para ser tão grave. Pensou que matou, pensou que a menina estivesse morta.” “Ela fala que não estrangulou a menina. Que ele colocou a menina no chão, acreditando que a menina estivesse morta, enquanto ela ligava para o sogro.”
Ainda segundo a funcionária, na conversa com o sogro Antônio Nardoni, a madrasta da menina teria ido direto ao ponto. “Falou para o sogro que matou a menina e ele falou: ‘simula um acidente. Senão, vocês vão ser presos’. Aí, tiveram a ideia de jogar a menina pela janela. Que o Alexandre só jogou a filha porque acreditava que ela estivesse morta e que ele entrou em choque depois que jogou. Desceu, e a menina estava viva.”
Na época do crime, com a quebra do sigilo telefônico do casal, ficou comprovado que, a partir das 23h51 da noite da morte de Isabella, Antônio Nardoni e Anna Jatobá conversaram durante 32 segundos. “A ligação teria sido feita logo depois do corpo ter sido jogado. É isso que a investigação indicou. Mas nós temos que apurar se havia outro telefone, usaram outro celular? Não sei, nós temos que ver agora”, disse Francisco Cembranelli, promotor do caso.



