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Três Lagoas
quinta-feira, 24 de setembro, 2026

Da pesquisa ao supermercado: como a inovação em biomassa pode chegar ao dia a dia da população

Tecnologias desenvolvidas em Três Lagoas buscam melhorar processos industriais, ampliar o uso de biofertilizantes e aproveitar resíduos

Quando se fala em biomassa, bioeconomia, descarbonização e transição energética, a discussão pode parecer restrita a pesquisadores, indústrias e especialistas. Mas, por trás desses termos, estão soluções que podem ter reflexos em situações muito mais próximas da população, como a produção de alimentos, o preço de produtos e o aproveitamento de resíduos.

Essa relação com o cotidiano é um dos pontos destacados durante o IV International Workshop on Biomass Innovation – Bioeconomy Horizons: Sustainable Innovation, que começou nesta quarta-feira (23) e segue nesta quinta-feira (24), no Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), em Três Lagoas.

Para o diretor regional do Senai-MS e diretor do ISI Biomassa, Rodolpho Mangialardo, o trabalho desenvolvido no instituto busca justamente transformar pesquisa e tecnologia em soluções que possam melhorar processos produtivos.

“É uma série de produtos que são desenvolvidos aqui voltados para a bioeconomia e que podem facilitar o trabalho da indústria. Seja por novos produtos ou seja por novos processos”, explicou.

DA INDÚSTRIA

Um dos exemplos apresentados pelo diretor envolve o desenvolvimento de soluções para o setor florestal. No instituto são pesquisadas alternativas que podem contribuir para o controle de pragas e, consequentemente, para a produtividade das plantações.

Mangialardo cita o desenvolvimento de insetos utilizados no controle de pragas do eucalipto. A lógica, segundo ele, é que uma melhoria em uma etapa da cadeia produtiva pode produzir efeitos nas etapas seguintes.

Se uma plantação apresenta melhor produtividade, isso pode influenciar a produção industrial de celulose e papel. E, em determinadas condições, ganhos de eficiência podem contribuir para reduzir custos ao longo da cadeia.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à agricultura.

O ISI Biomassa também trabalha com soluções relacionadas a biofertilizantes, produtos que podem ser utilizados na produção agrícola e que estão relacionados a uma questão estratégica para o setor: a disponibilidade e o custo dos fertilizantes.

“Se esse biofertilizante for mais acessível, mais barato, talvez a produção agrícola seja mais acessível, mais barata. E com isso, o nosso hortifruti, no nosso básico da culinária do dia a dia, chegue mais barato na sociedade”, afirmou.

A relação não significa que uma tecnologia desenvolvida pelo instituto necessariamente resulte, de forma imediata, em redução de preços para o consumidor. O ponto destacado pelo diretor é que ganhos de produtividade e eficiência em diferentes etapas da cadeia podem produzir impactos econômicos que chegam ao mercado.

BIOMASSA VALORIZADA

Outra frente está no aproveitamento de materiais que podem ser considerados resíduos dos processos produtivos.

O desenvolvimento de soluções a partir da biomassa permite buscar novas utilizações para esses materiais, transformando o que antes poderia representar um descarte em matéria-prima para outros produtos ou processos.

Além do potencial econômico, a proposta está relacionada à utilização mais eficiente dos recursos naturais e à busca por processos industriais com menor impacto ambiental.

É nesse contexto que entram temas discutidos no workshop, como descarbonização, energia renovável, biofertilizantes, biochar, novos produtos e novos processos industriais.

Foto: Augusta Rufino / Rádio Caçula

TRÊS LAGOAS

Para Rodolpho Mangialardo, sediar um evento internacional em Três Lagoas também representa uma oportunidade de aproximar a cidade de uma rede mundial de pesquisa e inovação.

O workshop reúne especialistas brasileiros e estrangeiros e conta com representantes de instituições como os institutos alemães Fraunhofer IGB e Fraunhofer UMSICHT.

“A gente traz gente de fora do Brasil, a gente traz muitos parceiros institucionais aqui do Mato Grosso do Sul e do Brasil, onde a gente tem a oportunidade de mostrar os resultados que esses grandes profissionais trabalham no dia a dia aqui no Instituto de Inovação em Biomassa”, afirmou.

O diretor também destacou a presença de parceiros internacionais em projetos desenvolvidos pelo ISI Biomassa e avaliou que a realização do encontro amplia a visibilidade de Três Lagoas no cenário de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Para ele, o avanço da indústria em Mato Grosso do Sul aumenta também a necessidade de desenvolver novas tecnologias e processos capazes de acompanhar esse crescimento.

“A gente tem que pegar essa onda e ajudá-los a crescer, a acelerar cada vez mais os seus processos, as suas oportunidades”, disse.

PROGRAMAÇÃO

O primeiro dia do evento, nesta quarta-feira (23), reuniu palestras e debates sobre diferentes áreas da bioeconomia. A programação inclui palestra do Fraunhofer IGB, painel sobre bioeconomia florestal e agrícola, discussão sobre transformações sustentáveis na indústria e palestra do Fraunhofer UMSICHT.

No período da tarde, o debate também aborda a relação entre bioeconomia e transição energética, com foco nos caminhos para a descarbonização.

A programação desta quarta-feira termina com um momento de networking entre os participantes.

Na quinta-feira (24), o evento começa às 8h. A programação inclui palestra da Social Carbon®, painel sobre políticas de inovação para a bioeconomia e, às 11h, a Mostra Tecnológica do ISI Biomassa, que permitirá aos participantes conhecer projetos, pesquisas e a estrutura utilizada pelo instituto.

O encerramento oficial está previsto para o meio-dia.

TECNOLOGIA REAL

A proposta do encontro, portanto, vai além da discussão sobre tecnologias futuras. O desafio colocado para pesquisadores e indústria é encontrar formas de utilizar recursos renováveis, resíduos e conhecimento científico para resolver problemas concretos.

Para o diretor regional do Senai-MS, essa conexão é justamente o que permite que um tema aparentemente técnico tenha relação com a vida da população.

“O Senai tem que estar junto. A Federação da Indústria do Estado tem que estar junto para ajudar a indústria, para ajudar desde o colaborador da indústria aos grandes processos, às grandes máquinas que podem ser desenvolvidas aí também”, afirmou.

Ao aproximar pesquisa, indústria e instituições de diferentes países, o workshop coloca em discussão como essas tecnologias podem ser desenvolvidas e aplicadas. Em Três Lagoas, parte desse trabalho já ocorre dentro do ISI Biomassa, onde resíduos, recursos renováveis e conhecimento científico são utilizados na busca por novos produtos e processos.

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