Empresário contou como o diagnóstico do filho inspirou a criação de um dos principais espaços de ecoturismo inclusivo de Três Lagoas
Durante o ‘Café da Manhã’ da 96 Caçula desta sexta-feira, 30, o empresário três-lagoense Diógenes Marques concedeu uma entrevista emocionante ao falar sobre a criação e o propósito do Mata Cascalheira, espaço de ecoturismo localizado próximo à área urbana de Três Lagoas. Ele compartilhou a origem do projeto, que nasceu a partir do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de seu filho, Benjamim.
Diógenes explicou que o Mata Cascalheira surgiu da necessidade de transformar a dor em ação concreta. Segundo ele, o impacto do diagnóstico trouxe medos comuns a muitos pais atípicos, mas também despertou o desejo de criar um ambiente onde crianças autistas e suas famílias pudessem ser acolhidas com respeito, sem preconceito e com liberdade. “Da dor nasceu o Mata Cascalheira. E se eu tivesse que resumir o que ele é, eu diria que é amor”, afirmou.
O empresário destacou que o espaço é um parque de ecoturismo com foco principal na conscientização e inclusão da causa autista, aliado à preservação ambiental e ao cuidado com a saúde mental, especialmente de mães atípicas e pessoas em situação de sofrimento emocional. O local oferece contato direto com a natureza, sem música alta ou som automotivo, respeitando as sensibilidades sensoriais de crianças neurodivergentes.
Durante a entrevista, Diógenes explicou que o espaço foi adaptado a partir de uma área já existente, sem intervenções agressivas ao meio ambiente. Trilhas, áreas de lazer, bosque com redes, acesso ao rio, brinquedos inclusivos e um restaurante com comida caseira feita no fogão a lenha fazem parte da estrutura. A entrada é gratuita, e a manutenção do local ocorre por meio do restaurante, que funciona como forma de sustentar o projeto.

Ele também falou sobre os desafios iniciais, especialmente na conscientização do público sobre as regras do espaço, como a proibição de som alto e de alimentos externos. Segundo Diógenes, com o tempo, os frequentadores passaram a compreender que o silêncio, a organização e o respeito são essenciais para garantir o bem-estar das famílias atípicas e a proposta do local.
Outro ponto abordado foi o impacto positivo do Mata Cascalheira na vida das famílias. De acordo com o empresário, muitos pais relatam alívio emocional ao perceberem que podem deixar seus filhos sob cuidados seguros enquanto caminham, descansam ou simplesmente contemplam a natureza. “Lá, ninguém é rotulado. A criança não é autista, ela é uma criança, com respeito e amor”, ressaltou.
Diógenes reforçou que o projeto é totalmente independente, sem patrocínios ou apoio do poder público, mantido com recursos próprios e muito trabalho voluntário. Ele também destacou que o modelo pode ser replicado em outras cidades e que o espaço tem atraído visitantes de toda a região, fortalecendo o turismo de experiência em Três Lagoas.
O Mata Cascalheira pode ser conhecido pelas redes sociais, no Instagram @matacascalheira, onde são divulgadas ações, vídeos e informações sobre o funcionamento do espaço, que hoje já se tornou referência regional em inclusão, acolhimento e contato com a natureza.


