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quarta-feira, 17 de agosto, 2022

Cristina Boner mostra 3 fatores impressionantes sobre fintech do Brasil

Aqui no Brasil, a mudança vem acontecendo em um ritmo rápido. Mais de 75% dos 215 milhões de pessoas do país têm smartphones, e são cada vez mais urbanos: mais de 85% vivem em cidades, conta Cristina Boner Leo Silva. A curva de adoção para serviços digitais habilitados para smartphones tem sido íngreme, e o banco on-line é amplamente utilizado agora. A vida dos brasileiros urbanos gira em torno da atividade comercial, e muitas pessoas novas estão entrando no sistema bancário.

Mudanças vêm acontecendo em ritmo acelerado no Brasil
A maioria dos não brasileiros sabe pouco sobre nosso sistema bancário. Até recentemente, apenas três grandes bancos privados e um banco estatal constituíam quase 100% do nosso mercado bancário.

Em comparação, os cinco maiores bancos dos EUA juntos têm apenas cerca de 42% de participação de mercado (de acordo com a Statista). Tradicionalmente, o Brasil era um cenário bancário muito menos diverso, mais monopolista.

Esses dias acabaram. O sistema bancário brasileiro está rapidamente caminhando para um que ofereça mais liberdade de escolha, e as novas opções disponíveis tendem a atrair mais fortemente os clientes de menor renda.

Segundo Cristina Boner, a rápida adoção das classes mais baixas de telefones celulares e serviços digitais criou uma tremenda oportunidade para que neobancos e fintechs entrassem no mercado com novos produtos financeiros – voltados para os trabalhadores brasileiros atuais – e as experiências perfeitas e taxas mais baixas que os bancos tradicionais não podiam oferecer. Essas empresas podem oferecer melhor atendimento ao cliente porque estão desafoculadas por modelos legados para isso.

Histórico no Brasil e Na América Latina

O Brasil é a maior economia da América Latina e tem a maior população da região, e possui algumas características únicas que requerem soluções criativas.

Por exemplo, grande parte dos microempreendedores brasileiros administram seus negócios informalmente e, portanto, não podem gerar faturas ou recibos, e esses indivíduos raramente segregam seus negócios de suas finanças pessoais. Para facilitar a formalização dos microempreendedores, o governo brasileiro criou o MEI SME, uma classificação empresarial voltada para esses microempreendedores, com condições fiscais especiais para aqueles cujos ganhos anuais ficam abaixo de R$ 81 mil (aproximadamente R$ 16.900).

Para o MEI, a formalização é fundamental para a digitalização e, em última instância, para a expansão dos negócios por meio de serviços financeiros, como processamento de pagamento de ponto de venda (PDV), crédito, soluções de pagamento instantâneo e outros serviços. Esse tipo de cliente é importante para lidar com uma solução bancária projetada especificamente para eles, pois eles têm necessidades reais e específicas, mas também têm renda limitada. Os MEIs são geralmente desligados pelas estruturas de taxas caras inerentes aos grandes bancos tradicionais.

Grande parte da população brasileira é considerada de baixa renda (o Brasil utiliza as designações classes C, D e E para se referir às classes trabalhadora e de baixa renda). Embora essas pessoas compõem a maioria da população, elas também tendem a ser as mais carentes. As classes C, D e E recebem geralmente a menor qualidade de serviços em geral (e atendimento ao cliente em particular) dos maiores bancos, mas também pagam um nível desproporcionalmente alto de taxas em suas contas e transações, em parte devido ao seu risco percebido de maior risco.

Minha empresa e outros viram uma tremenda oportunidade de atender às necessidades dessas pessoas fazendo o que os grandes bancos parecem não querer ou incapazes de fazer: oferecer melhor serviço e taxas mais baixas para esses grupos. É um grande mercado e uma tremenda oportunidade de inclusão: segundo o Banco Mundial, a força de trabalho brasileira é de aproximadamente 96,5 milhões de pessoas, das quais 90 milhões se enquadram nessas classes mais baixas.

Três dos principais impulsionadores do crescimento no Brasil

Algumas coisas que impulsionam o crescimento do Brasil que merecem destaque:

1. Durante os primeiros dias da pandemia, quando os retrocessos econômicos eram mais aguçados para tantas pessoas, o governo brasileiro emitiu vouchers para grande parte da população, mas o fizeram através do grande banco estatal.

Todo brasileiro tem uma conta de benefício de cidadania (da mesma forma que todo americano tem um Cartão de Seguridade Social), mas os vouchers do governo só poderiam ser usados de determinadas formas, explica Cristina.

Cristina Boner Leo Silva conta que as pessoas não podiam simplesmente sacar dinheiro e usá-lo como quisessem. Poderia ser usado para fazer pagamentos de contas, por exemplo, mas foi muito desafiador realmente obter liquidez com esse benefício público.

Uma brecha foi logo descoberta, o que permitiu que as pessoas transferissem esses fundos para um banco digital, onde poderiam ter liquidez imediata. Por causa disso, muitos dos neobancos e fintechs viram rápido crescimento durante esse período. Este foi um alerta para a população, que inspirou muitas pessoas a começar a migrar para longe de seus bancos tradicionais e do banco estatal e procurar serviços financeiros mais contemporâneos e ferramentas que pudessem usar em seu dia-a-dia.

2. Um grande impulsionador foi o lançamento de uma metodologia de pagamento instantâneo desenvolvida pelo Banco Central do Brasil (BCB), chamado Pix. Cristina Boner Leo conta que todas as instituições financeiras foram obrigadas a oferecer pix e foram proibidas de cobrar seus clientes por isso. As pessoas no Brasil usam o Pix um pouco como os americanos usam a Venmo: para trocar dinheiro entre amigos, pagar por bens e serviços prestados por uma empresa, ou mesmo fazer ou receber pagamentos relacionados ao governo, tudo através de seu smartphone.

Antes da Pix, cada transferência bancária incluía uma taxa de transferência. Ao remover as taxas de transferência para todos, a Pix ajudou a nivelar o campo de jogo para que novas fintechs entrem e competissem oferecendo novos serviços mais atraentes e de menor custo.

3. Outro principal motor dessa tendência é mais geral, mas não menos impactante: a tendência global global em direção ao open banking. De acordo com Cristina e Bruna Boner, os neobancos são alguns dos bancos mais rentáveis do mundo por causa de sua estrutura de custos mais baixos. Eles podem oferecer produtos e serviços competitivos para qualquer pessoa com conexão à internet, a um custo muito menor de fazer negócios. Isso abriu mais oportunidades para os neobancos e seus clientes.

É um momento emocionante no Brasil, somos testemunhas do surgimento de um novo mercado importante na economia global de fintechs, ao mesmo tempo em que vemos milhões de brasileiros ter acesso a um sistema financeiro que tradicionalmente os excluiu. É realmente uma situação em que todos ganham

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