Ariana pediu para tirar uma foto com os imigrantes, ouviu as histórias, se emocionou e abriu as portas de casa para recebê-los.
01/08/2018 15h57
Por: Gabriele Benati
A dona de casa Ariana Freitas não imaginava que uma simples foto poderia provocar uma reviravolta em sua vida. Moradora de Corumbá, município que tem se tornado uma nova rota de imigração, ela se sensibilizou com a história de um grupo de haitianos após pedir para tirar um foto com eles. Em um intervalo de três meses, 300 imigrantes passaram pela casa dela.
Assim que a imagem foi feita, ela quis saber mais sobre o grupo e ouviu a frase que mudaria sua rotina: “Estamos há 3 dias sem comer”. Sensibilizada com a história dos haitianos, Ariana decidiu abrir as portas da própria casa para 19 pessoas, com um detalhe: o imóvel ainda estava em construção.
Para retribuir o carinho que recebiam, os haitianos ajudaram a terminar parte da construção da casa.
“Eles mudaram a minha vida. São pessoas carinhosas, ajudadores e por cada um deles tenho um carinho enorme. Hoje entendo que não podemos desperdiçar nada, até mesmo um grão de arroz,” explica.
De acordo com Ariana, atualmente 5 haitianos moram no local. Enquanto não encontram recursos para seguir viagem, eles tem conforto e solidariedade. O Jovem Christhom Joseph, que chegou há poucos dias em Corumbá, disse que se sente em casa:
“Me receberam super bem e tem me ajudado com comida. Eles também nos ajudam com palavra e tem um grande coração. Eu agradeço por tudo isso”, explica.
Segundo Ariana, logo no início as doações de comida eram grandes e muita gente procurou para ajudá-los. Com novos moradores, a casa de tijolo, ganhou pintura e camas mais confortáveis.
Além da solidariedade da Ariana, igrejas, casarões, pousadas e hotéis, abriram as portas para os haitianos que estão de passagem por Corumbá.
NOVA ROTA DE IMIGRAÇÃO
Em um período de seis meses, entre fevereiro e julho deste ano mais de 1,3 mil haitianos entraram no Brasil, por Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, segundo levantamento da Pastoral da Mobilidade Humana, da Igreja Católica.
Depois de meses sem saber o que fazer com a chegada desenfreada de haitianos na cidade, o município começou a fazer a triagem desses estrangeiros. Para traçar um perfil mais detalhado dos imigrantes, o Centro de Acolhimento a População de Rua do município está fazendo uma entrevista para conhecer melhor os imigrantes que chegam a cidade.
De acordo com a Pastoral da Mobilidade Humana, esses imigrantes têm como objetivo principal fugir da miséria que atinge o seu país desde 2010, depois do terremoto que devastou todo o território, e tentar uma nova vida no Brasil.
A maioria absoluta, 80% desses imigrantes, são homens. Eles chegaram ao país, conforme a Pastoral, com a ajuda de algum parente e também têm a esperança de trazer o restante da família.
Informações Site G1.MS



