02/05/2017 10h58
Representantes de várias escolas de samba foram homenagear Liza Carioca. ‘Temos que repensar no aspecto da segurança e no aspecto daquilo que não deu certo no carnaval’, disse presidente da Liesa
Por: G1
Foi enterrado pouco depois das 16h10 desta segunda-feira (1º), no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio, o corpo da radialista Elizabeth Ferreira Joffe, de 55 anos. Liza Carioca foi uma das vítimas do acidente com o carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti, durante a abertura do desfile do Grupo Especial do carnaval do Rio, na Marques de Sapucaí.
“Obrigado a todos, muito obrigado. Valeu, Liza”, gritou o viúvo, o também radialista Paulinho Carioca, aplaudido após sepultamento. Antes, um amigo também recebeu aplausos ao gritar: “Você foi guerreira, Liza”.
“Eu que coloquei ela nessa maluquice [carnaval]. Ela não era do ramo, mas abraçou a causa ao meu lado de maneira digna e profissional. Esse carinho de um país inteiro que me chamava, diariamente, no hospital para saber dele eu agradeço a vocês, aos fãs que acompanhavam as nossas transmissões e mandaram mensagens lindíssimas. Não tenho palavras para agradecer. Também [agradeço] o meu amigo Jorge Castanheira. Não deu certo infelizmente. Esse episódio não é uma mancha negra, é um marco”, disse Paulinho Carioca durante um pronunciamento após o enterro de sua mulher.
Presidentes e integrantes de várias escolas de samba foram ao cemitério para homenagear Liza.
Jorge Castanheira, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), disse que, após o acidentes deste ano, o carnaval está sendo repensado.
“Temos que repensar no aspecto da segurança e no aspecto daquilo que nao deu certo neste carnaval. Em 33 anos, desse espetáculo, nós tivemos poucas ocasiões de acidentes. Esse foi um acidente grave [da Tuiuti e da Tijuca]. A nossa intenção é avaliarmos tudo que não deu certo e que efetivamente a gente precise corrigir e aprimorar para os próximos anos”, disse Castanheira.
Leandro Azevedo, diretor de carnaval da escola Paraíso do Tuiuti, foi representar a agremiação.
“A escola [Tuiuti] está totalmente consternada. As pessoas que se acidentaram são do nosso meio e convivem todos os dias com a gente. É muito triste ver essa gente do carnaval acostumado a alegria e vibração estar nesse dia triste”.
Azevedo disse que ainda não pensa ainda como será o proximo carnaval já que a escola está preocupada com outras vítimas.
“Acredito que a Liesa junto com as outras escolas vai tentar fazer algo para evitar o máximo possível de fatalidade”.
Elizabeth morreu neste sábado (29), depois de mais de dois meses hospitalizada. Ela estava internada no Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, Zona Norte, deste a terça-feira, quando foi transferida do Hospital Souza Aguiar após agravamento de seu quadro clínico.
A família informou que Elizabeth estava no CTI. Ela teve anemia e pegou uma infecção bacteriana. O marido disse que desde o acidente ela fez sete cirurgias.
Elizabeth trabalhava como repórter de pista da rádio Ação FM. Ela estava na área próxima à concentração da Sapucaí quando foi atingida pelo carro alegórico. Naquela noite, ao todo vinte pessoas ficaram feridas ao serem atingidas pelo veículo.
Liesa e escola de samba lamentam a morte
Em nota, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) informou manifestar “mais profundo pesar pelo falecimento da radialista Liza Carioca”. “Nos solidariezamos com todos seus familiares e amigos neste momento de dor”, diz o texto.
Também por meio da assessoria, a Paraíso do Tuiuti informou que a escola está “profundamente consternada com o falecimento da senhora Elisabeth Joffe”. No texto, a agremiação diz ainda que “a diretoria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti lamenta o ocorrido e presta as mais sinceras condolências aos familiares e amigos”.
“Desde o fatídico episódio, a agremiação não se furtou em arcar com os custos do tratamento médico e oferecer apoio irrestrito ás vítimas com sequelas e ferimentos graves. Declaramos luto e mais uma vez lamentamos que as consequências do acidente tenham sido as piores possíveis”, complementa a escola de samba.
O prefeito Marcelo Crivella também divulgou nota de pesar sobre a morte da radialista. “
“É com muita tristeza que recebo a notícia do falecimento da radialista Elizabeth Ferreira Joffe, vítima do lamentável acidente ocorrido no Sambódromo. Presto minha solidariedade à família e aos amigos de Elizabeth e agradeço publicamente todos os profissionais de saúde que lutaram para salvar sua vida”.
Relembre o acidente
O acidente ocorreu quando um dos carros da escola perdeu o controle e prensou pessoas na grade que separa a arquibancada da pista. Alguns feridos ficaram presos nas ferragens e militares dos bombeiros tiveram que serrar a grade. Naquela noite, duas pessoas foram levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, com ferimentos graves.
Quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil por responsabilidade no caso. São elas o motorista Francisco de Assis, o engenheiro Edson Gaspar e os diretores de carnaval, Leandro Azevedo, e de alegorias, Jaime Benevides, responderão por imperícia, imprudência e negligência.
O motorista foi indiciado também por lesão corporal culposa. Segundo a polícia, apesar de ter avisado sobre a dificuldade de enxergar a pista, ele poderia ter se recusado a dirigir, mas não o fez. Por isso, será responsabilizado no artigo 303 do Código de Trânsito Brasileiro (lesão corporal culposa decorrente de acidente de trânsito).
“No acidente da Tuiuti não foi dada condição mínima ao motorista para conduzir o carro alegórico. Quando ele alinhou na Sapucaí foi acoplada a outra parte da alegoria e ele ficou sem visibilidade nenhuma”, afirmou a delegada, titular da 6ª DP (Cidade Nova), Maria Aparecida Mallet, responsável pelo inquérito.



