Geral – 13/04/2012 – 17:04
Foguete lançado nesta quinta-feira (12) se desintegrou antes de entrar na órbita terrestre
A Coreia do Norte lançou nesta sexta-feira (12) um foguete que se desintegrou no ar e afundou no mar. Apesar do fracasso, as potências mundiais, em especial EUA, Coreia do Sul e Japão, estudam novas punições ao país para evitar que Pyongyang tente apagar o vexame de ontem com novos testes nucleares terrestres.
Segundo a Coreia do Norte, seu foguete tinha o objetivo de levar ao espaço um satélite meteorológico. Mas para EUA, Coreia do Sul e Japão, que classificou a iniciativa como “provocação”, o lançamento foi usado para disfarçar um teste militar.
Como resposta, o Conselho de Segurança da ONU convocou para esta sexta-feira (13) uma reunião de emergência.
Em declaração por escrito, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou Pyongyang.
– Apesar de seu fracasso, o lançamento do suposto satélite pela Coreia do Norte é deplorável. Este lançamento é uma violação direta [de uma resolução da ONU].
Um funcionário de alto escalão da ONU disse temer que “o pior esteja por vir”, em referência aos rumores de preparativos de um novo teste nuclear.
Isso porque o Ministério da Defesa sul-coreano advertiu claramente para o perigo de “novos atos de provocação por parte do Norte, que poderiam ser testes de mísseis e um teste nuclear”. Seul ressaltou ainda que o Exército norte-coreano já se encontrava “em vigilância aumentada”.
O governo japonês, que convocou uma reunião de emergência, também não descarta aplicar novas sanções contra a Coreia do Norte. No início deste mês, o Japão decidiu prorrogar por mais um ano as sanções comerciais que mantém desde 2006 sobre Pyongyang.
Os Europeus também elevaram o tom contra os norte-coreanos. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, denunciou a clara violação da resolução 1874 do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe a Coreia do Norte de realizar testes nucleares ou balísticos.
Para acalmar os ânimos e evitar que o conflito se instale, a China, principal aliada da Coreia do Norte, assim como Rússia e Índia, pediram cautela à comunidade internacional.
“Convocamos todas as partes interessadas a demonstrar um máximo de responsabilidade, de moderação”, disse o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, após um encontro com seus homólogos chinês e indiano.
Esta foi a terceira tentativa de colocação em órbita de um satélite pela Coreia do Norte, após dois fracassos, em 1998 e 2009.
Lançamento fracassado
Segundo Pyongyang, o foguete Unha-3 deveria colocar em órbita um satélite civil de observação terrestre de 100 kg. O primeiro estágio do foguete deveria cair no Mar Amarelo, a oeste da Península Coreana, e o segundo a leste das Filipinas, sobrevoando uma parte das ilhas de Okinawa (sul do Japão).
Pouco depois deste lançamento, os Estados Unidos e seus aliados Coreia do Sul e Japão anunciaram que o foguete se desintegrou em pleno voo após ser lançado do Centro Espacial de Tongchang-ri (noroeste da Coreia do Norte), situado a 50 km da fronteira com a China.
“Os sistemas americanos detectaram e seguiram o lançamento de um míssil norte-coreano Taepodong-2 às 18h39 (19h39 de Brasília)”, anunciou o Comando de Defesa Aérea da América do Norte (NORAD).
O primeiro estágio do foguete caiu no mar 165 km a oeste de Seul, no Mar Amarelo, e o segundo e terceiro não funcionaram, explicou o NORAD, que acrescentou que os destroços caíram no mar sem nunca significar uma ameaça.
O Taepodong-2 é um míssil balístico de longo alcance que a Coreia do Norte está tentando desenvolver e que já testou em julho de 2006 e abril de 2009.
A Coreia do Sul informou que sua marinha lançou uma operação para recuperar os destroços.
Pyongyang só reconheceu o fracasso após mais de quatro horas de silêncio.
– O satélite de observação terrestre não pôde entrar em órbita. (…) Os cientistas, técnicos e especialistas estão estudando as razões deste fracasso.
As autoridades norte-coreanas esperavam fazer coincidir a colocação em órbita com as celebrações do centenário do nascimento do fundador da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Kim Il-sung, no dia 15 de abril.
Fonte: R7


