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terça-feira, 6 de janeiro, 2026

Citricultura avança em MS, injeta R$ 2,4 bilhões e consolida nova fronteira agrícola

Com milhares de hectares prospectados e grandes grupos investidores, atividade impulsiona diversificação econômica e geração de renda no Estado

Com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados, a citricultura avança de forma acelerada em Mato Grosso do Sul e se consolida como uma das principais apostas do agronegócio estadual para diversificar a base produtiva, gerar renda e atrair novos empreendimentos.

Atualmente, o Estado já contabiliza mais de 7 milhões de mudas implantadas e trabalha com a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de maneira significativa sua participação na produção nacional de laranja.

Embora ainda não esteja entre os maiores produtores do país — ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia — Mato Grosso do Sul vive um processo consistente de expansão da atividade, sustentado pela disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica.

Grandes investimentos

Nos últimos anos, grandes grupos citrícolas nacionais passaram a direcionar investimentos robustos para o Estado. Um dos principais exemplos é a Cutrale, que já possui grande parte de seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e projeta alcançar até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares estiverem em plena produção.

Além da Cutrale, empresas como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas, além de produtores independentes, vêm ampliando sua presença em Mato Grosso do Sul, apostando na diversificação produtiva e no potencial da citricultura local.

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço do setor é resultado de uma estratégia estruturada que combina investimentos privados e políticas públicas.

“A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação profissional e parcerias institucionais. Isso tem dado confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável”, destacou.

Apoio institucional

O fortalecimento da cadeia produtiva conta com ações técnicas e institucionais da Semadesc, como ampliação da defesa agropecuária, capacitações e atuação integrada com municípios e o setor produtivo, garantindo sanidade e produtividade aos pomares.

Reconhecimento dos produtores

O potencial do Estado também é reconhecido por quem investe na atividade. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, o citricultor Eduardo Sgobi ressalta a qualidade do solo sul-mato-grossense.

“A iniciativa governamental é singular. A qualidade do solo impressiona, são áreas de pastagens antigas, com baixo uso de fertilizantes, o que demonstra a vitalidade e o potencial produtivo para a citricultura”, afirmou.

Já a empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, que iniciou o plantio em abril de 2024, destaca o ambiente favorável encontrado no Estado.

“O Mato Grosso do Sul tem colaborado de forma decisiva para que os projetos sejam estruturados desde o início. Hoje, nossos principais desafios são energia e mão de obra, mas acreditamos que isso será superado com capacitação”, explicou.

Segundo ela, a formação de mão de obra especializada já está em andamento, com destaque para a crescente participação feminina no setor. “Temos muitas mulheres interessadas e já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

Tendência de crescimento

O cenário aponta uma tendência clara: mesmo fora do topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do Brasil nos próximos anos.

“A citricultura já engrenou em MS. Para os próximos anos, vamos intensificar ações de sanidade, com tolerância zero ao greening, retenção de mão de obra indígena e redução do ICMS, que hoje é de 2% na saída da laranja”, ressaltou Verruck.

O secretário também lembrou que praticamente 100% da cultura é irrigada e que as linhas do FCO continuarão disponíveis para investimentos, especialmente em irrigação. “O objetivo é preparar o Estado para, futuramente, com pelo menos 25 mil hectares em produção, viabilizar a tão sonhada industrialização do setor”, finalizou.

Com informações da Agência GOV.MS

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