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quinta-feira, 26 de março, 2026

Cirurgia inédita com polilaminina em MS é bem-sucedida e reacende esperança de recuperação motora

Procedimento experimental realizado no Hospital Militar de Campo Grande pode devolver movimentos a jovem militar tetraplégico

A primeira cirurgia com uso de polilaminina realizada em Mato Grosso do Sul foi considerada um sucesso pela equipe médica responsável. O procedimento inovador ocorreu na manhã desta quarta-feira (21), no Hospital Militar de Campo Grande, e pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões medulares graves. O paciente é um militar de 19 anos que ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo ocorrido há dois meses.

A cirurgia teve início às 9h30 e durou cerca de 40 minutos. O procedimento foi acompanhado pelo neurocirurgião do Hospital Militar, tenente Wolnei Marques Zeviani, e executado pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, em conjunto com o médico e pesquisador Olavo Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo a equipe médica, o paciente deverá receber alta nesta quinta-feira (22) e iniciar um longo processo de reabilitação, com fisioterapia especializada por pelo menos dois anos. Apesar de não haver garantia de que o jovem voltará a andar, os especialistas apontam alta probabilidade de recuperação parcial dos movimentos, o que já pode representar um ganho expressivo na qualidade de vida.

A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína extraída da placenta, e vem sendo estudada há mais de duas décadas em pesquisas conduzidas pela UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália. Em dezembro, o estudo recebeu aprovação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desde então, outros 12 pacientes já passaram pelo tratamento experimental, todos com registros de melhora funcional.

De acordo com os pesquisadores, a medicação é aplicada em dose única diretamente na medula espinhal, na região da lesão. O composto atua reduzindo o processo inflamatório, diminuindo a morte de neurônios e favorecendo o religamento das conexões nervosas. O estímulo contínuo por meio de fisioterapia específica é considerado fundamental para potencializar os resultados.

A idade do paciente também é um fator positivo para a recuperação. Especialistas explicam que pacientes mais jovens tendem a responder melhor ao tratamento devido à maior plasticidade celular. Casos acompanhados pela pesquisa já demonstraram resultados expressivos, incluindo retomada de movimentos em semanas ou meses após o procedimento.

O procedimento realizado em Campo Grande marca um momento de pioneirismo para Mato Grosso do Sul. Apenas profissionais autorizados e treinados podem realizar cirurgias com polilaminina, seguindo protocolos rigorosos estabelecidos pelo Laboratório Cristália. A expectativa é que, com a capacitação de médicos locais, o tratamento possa ser ampliado para outros pacientes no Estado.

Considerado inovador também em âmbito internacional, o uso da polilaminina reforça o protagonismo da ciência brasileira na busca por soluções para lesões medulares graves e abre novas perspectivas para pessoas com tetraplegia e paraplegia.

com informações Jornal Midiamax

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